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Paraná tem 3 acidentes com motos por hora

Renan Vallim

| Edição de 16 de outubro de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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A cada hora, três acidentes de trânsito envolvendo motos são registrados em média no Paraná, de acordo com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran/PR). Em 2015, segundo dados da Seguradora Líder, encarregada pelo Seguro DPVAT, foram 497.009 indenizações pagas por mortes envolvendo a categoria, ou seja, 76% das reparações. De acordo com dados da Polícia Militar (PM), os municípios de Apucarana e Arapongas somaram 429 acidentes com motocicletas entre janeiro e setembro desse ano.

Os dados nas duas cidades permitem apontar que são registrados, em média, três acidentes envolvendo motos a cada dois dias. Em Apucarana foram 163 acidentes no período. Já em Arapongas, foram 266. No entanto, os dados da PM não abrangem as vias sob domínio federal, como a Avenida Minas Gerais, em Apucarana, e a Avenida Maracanã, em Arapongas, locais onde o índice de acidentes é ainda maior.

Os motociclistas são considerados o maior grupo de risco no trânsito. Segundo a seguradora, a motocicleta é o veículo responsável por 51% das mortes entre jovens de 18 a 44 anos no trânsito. No período de janeiro a dezembro de 2015, 53% dos acidentes foram fatais e, em 56%, o motociclista teve sequelas permanentes.

Imagem ilustrativa da imagem Paraná tem 3 acidentes com motos por hora

“Trabalhamos com uma estimativa de que 500 motociclistas morrem por ano no trânsito no Paraná. E a imprudência, o excesso de velocidade, a falta de uso de equipamentos obrigatórios, como capacete, está ligada a esse índice. Todo cuidado é pouco, ainda mais quando o seu próprio corpo é a sua proteção”, diz o diretor-geral, Marcos Traad.

Conforme a Associação Brasileira de Prevenção dos Acidentes de Trânsito, o risco de morrer em um acidente sobre uma motocicleta é 20 vezes maior do que uma colisão com um automóvel. Esse número sobe para 60 vezes se a pessoa não estiver usando o capacete.

O atendente de farmácia Harrison Gualberto Pereira, de Apucarana, já viveu na pele o risco que a motocicleta traz. “Há um ano, eu estava na garupa de uma moto pilotada por um amigo de infância. Estávamos de capacete, andando tranquilamente e sem fazer nada de errado. Um carro fez uma conversão proibida à esquerda e bateu na gente. Meu amigo faleceu e eu fui parar no hospital”, afirma ele, que narra o acidente de acordo com testemunhas, já que não se lembra do ocorrido por conta da pancada que sofreu na cabeça.

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“Tive um coágulo na cabeça, fiquei internado por quase uma semana. Também tive problemas nos ligamentos do joelho agravados por causa da batida. Até hoje ainda tenho o joelho com problema”, afirma.

Ele garante que não quer nunca mais andar em uma moto. “Tenho trauma. Não chego perto. A imprudência dos outros causou tudo isso. Moto é um risco muito grande. Você fica exposto, não tem cinto de segurança, nada. Às vezes, nem todo o cuidado do mundo é o suficiente”, diz.