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Pedreiro de Apucarana alimenta todos os dias macacos e animais que vivem na região da Mata dos Schmidt

Aline Andrade

| Edição de 01 de outubro de 2020 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Uma vida dedicada ao amor pelos animais: esta é a definição do pedreiro Antônio José dos Santos, o ‘seu Toninho’, para o trabalho diário que realiza alimentando os bichos nos fundos da mata do Schmidt, em Apucarana, na região do Parque da Raposa. Há dois anos, ele vai todos os dias, religiosamente, sempre no final da tarde, levar frutas e água para os animais que vivem naquela região. A maioria são macacos, mas alguns quatis e cachorros também costumam aparecer para o banquete. A variedade é grande: são bananas, melões, melancias, tangerinas e até alguns biscoitos. Água e ração para cachorros também não falta. Quando o carro chega na estrada que passa atrás da mata, dezenas de macacos já começam a se movimentar nas árvores e pelo chão, esperando para serem servidos. 

Seu Toninho conta que este trabalho começou ao observar que alguns macacos estavam passando fome. “Eu estava trabalhando em uma obra nesta região e sempre via os macacos brigando por qualquer pedaço de espiga seca. Era de cortar o coração ver eles com fome. Aí eu comecei a levar umas frutas no trabalho para dar para eles e eles começaram a vir em bandos. Muita gente não gostou da presença dos macacos ali, então comecei a trazer os alimentos na mata”, lembra. 

A partir daí ele não parou mais. Ele conta que enfrenta muitas dificuldades por insistir em alimentar os bichinhos, mas que segue firme. “Tenho muito amor por esses animais, eles não fazem mal para ninguém, só querem comer. Eu já fui denunciado várias vezes por pessoas maldosas que disseram que eu estaria pegando os macacos para vender. Eu nunca faria isso. Só quero ver eles bem”, afirmou. 
As despesas com a alimentação dos bichos ficam por conta do salário do pedreiro. Somente com as frutas, o gasto mensal é de cerca de R$ 1 mil. “Já cheguei a gastar mais porque alimentava cerca de 70 cães e gatos de rua, além dos macacos, mas infelizmente precisei parar porque o dinheiro não dava. Me cortou o coração, mas não tive o que fazer”, disse. 
De vez em quando, ele recebe alguma ajuda de pessoas que apoiam o trabalho que ele faz junto aos animais, mas é pouco. Mesmo assim, seu Toninho afirma que enquanto viver, estará ali, diariamente. “Isso aqui, enquanto eu viver, eu vou fazer, e depois que eu morrer já falei com minha filha, que é pra ela dar continuidade. Ela me disse que vai fazer sim. Não quero que pare nunca isso aqui”, declarou. 

ATRAÇÃO PARA 
OS VISITANTES 
Vários apucaranenses costumam ir até a mata para observar os animais. Quando seu Toninho chega com as frutas, o número de expectadores é ainda maior. O pintor Júlio César Oliveira é um deles. Ele conta que há cerca de um ano costuma ir toda semana até o local para levar filhas e netas para ver o espetáculo da natureza. “Isso aqui é a coisa mais linda, sempre venho com minha família nesse horário para ver os bichinhos descerem da árvore para comer. Eu admiro demais esse trabalho que ele faz, está de parabéns”, afirmou o visitante.