A Petrobras divulgou ontem, no Rio de Janeiro, a nova política de preços para o Gás Liquefeito de Petróleo comercializado em botijões de 13 quilos (GLP-P13), conhecido como gás de cozinha. A mudança já vale a partir de hoje, com alta de 6,7%. O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) é favorável à mudança, mas revendedores ouvidos pela Tribuna discordam e apontam que alta deve ser maior que a estimativa oficial.
Conforme os dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o reajuste deve impactar em 2,2% no preço final do botijão, o que equivale a R$ 1,25 em média. Mas, de acordo com revendas, a realidade deverá ser diferente. Em Apucarana, o botijão de gás, que custava, em média, R$ 60 até ontem, vai passar a valer aproximadamente R$ 65 com o reajuste. A partir do próximo mês, os reajustes no preço do gás de cozinha serão aplicados no dia 5 de cada mês.
Em nota, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) fez uma avaliação positiva do anúncio da Petrobras. O sindicato ressalta que a nova política de preços “ainda deixa o preço praticado aproximadamente 15% abaixo ao da paridade de importação”.
No entanto, revendedores locais não veem a mudança com bons olhos. “O preço vai passar a depender da cotação do mercado internacional. Antes, os valores eram mais estáveis. Tanto para nós quanto para os consumidores, acredito que não vai ser bom”, afirma André Francisco Lima, proprietário de uma revendedora.
Ivo Guerra, proprietário de outro estabelecimento também em Apucarana, concorda. “Vai ser uma desvantagem. Nosso capital de giro vai ficar instável, todo mês vai subir. Estaremos sujeitos aos efeitos da inflação. E o consumidor final é quem vai pagar, no fim das contas”, declara.
O gás de cozinha era o único produto da Petrobras para o qual ainda não havia sido definida fórmula de cálculo. A partir de agora, o preço nas refinarias será calculado pela média mensal das cotações do butano e do propano no mercado europeu, convertida em reais pela média diária das cotações da venda do dólar, acrescida de uma margem fixa de 5%.
De acordo com o presidente da Petrobras, Pedro Parente, a política, aprovada ontem pela diretoria executiva da estatal, faz com que a empresa complete o ciclo de definição de políticas para os produtos da companhia, garantindo a previsibilidade de preço. “Em relação ao consumidor final, podemos dizer que, a exemplo do que está acontecendo com a gasolina e com o diesel, nós vamos seguir rigorosamente a referência utilizada, significando dizer que, assim como pode subir [o preço], também pode cair. A gente fala com a autoridade de quem, desde outubro, fez sete reajustes e cinco foram de redução de preço. Isso também pode ser vantajoso para a consumidor”, afirmou. (Com agências)