A Polícia Civil de Apucarana cumpriu ontem mandados de busca e apreensão no consultório e na casa do clínico geral Gilberto Pinto Wanderley. Ele é investigado por suspeita de abuso de duas pacientes. O médico atende na própria clínica e também em um posto de saúde do município.
Segundo a delegada Iane Cardoso Nascimento, da Delegacia da Mulher de Apucarana, duas pacientes relataram os supostos abusos em depoimento. Os casos teriam ocorrido em 2011 e 2015. “Estamos divulgando o nome do médico para que eventuais novas vítimas procurem a polícia para denunciar”, assinalou Iane.
De acordo com a delegada, o abuso teria ocorrido enquanto o médico fingia examinar as pacientes. “Através dos mandados, fizemos a apreensão de diversos objetos e equipamentos eletrônicos, que irão passar por perícia no Instituto de Criminalística da Polícia Civil. Mesmo que nada seja encontrado nesses objetos, o médico deverá ser indiciado ao final das investigações, pois os depoimentos dados pelas vítimas são consistentes”, diz.
A Autarquia Municipal de Saúde (AMS), através da assessoria de imprensa, afirmou que tomou conhecimento do caso através da imprensa. As investigações da polícia serão acompanhadas e uma sindicância será aberta para apurar o caso e tomar as medidas necessárias.
A delegada afirma que mulheres que passaram por situação semelhante devem procurar a Delegacia da Mulher, na Rua Jamil Soni, 53, bairro 28 de Janeiro. O crime de Violação Sexual Mediante Fraude é previsto no Artigo 215 do Código Penal, com pena que varia de dois a cinco anos de prisão.
Uma das vítimas do médico, que pediu para não ter a identidade revelada, deu um relato do caso ocorrido em 2011. Ela afirma ter sido atendida pelo médico em um consultório improvisado do antigo Pronto Atendimento Médico (PAM), que funcionava em uma casa quando o prédio principal estava em reforma. “Fiz duas consultas com ele. Na primeira, ele agiu normalmente. Na segunda, foi que o abuso aconteceu”.
“Eu estava com dor no peito e no abdômen. Ele levantou minha blusa, meu sutiã e começou a me apalpar. Me segurou pela frente e por trás, mandou eu me inclinar para frente e para trás, ficava se esfregando em mim. Percebi na hora que algo estava errado, mas fiquei com medo. Fiquei em choque, não consegui dizer nada. Vi inclusive ele colocando uma das mãos dentro da própria calça”, relata.
Ela diz ter contado a situação para a patroa, que a levou até o Ministério Público. “Dei um depoimento no dia seguinte, contando tudo o que havia acontecido, mas nunca obtive resposta. Na mesma época, o Conselho Regional de Medicina (CRM) me pediu para enviar uma carta sobre o ocorrido. Em 2014, eles disseram que não tinham nada contra o médico e que iriam arquivar o caso”.
Foi uma reportagem no TNOnline, publicada há pouco mais de um mês, que fez com que ela procurasse novamente as autoridades. “Não tenho dinheiro para pagar médico particular e, desde o fato, evito marcar uma consulta. Tenho medo até hoje”, afirma ela.
A reportagem ligou para o consultório do médico, mas as ligações não foram atendidas.
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