O número de detentos foi confirmado apenas ontem pela Polícia Civil. Esta é a quinta ocorrência do gênero registrada na unidade neste ano. As outras aconteceram em janeiro, quando ocorreram duas situações, maio e junho. Somente nos três últimos episódios, o número de foragidos chega a 73. Anteontem, antes da evasão, a unidade abrigava 169 detentos num espaço projetado para 38. A superlotação, que é um problema crônico da carceragem, é apontada como um dos fatores que favorecem as fugas.
O delegado, Marcelo Sakuma, responsável pela carceragem, observa que, além da superlotação, o espaço enfrenta outros problemas diariamente, como a falta de segurança e estrutura precária. “São vários fatores que contribuem com as fugas, como falta funcionários para fazer a vigilância dos presos, guarda externa e cerca elétrica. A estrutura também é muito frágil”, comenta Sakuma.
Sobre a estrutura, além da vistoria feita por engenheiros em março constata a vulnerabilidade do prédio, o delegado cita como exemplo a parede quebrada pelos detentos durante a fuga. “É uma parede comum, de tijolos, que se quebra com facilidade, quando deveria ser de concreto”, ressalta.
O delegado responsável pela carceragem observa que a Polícia Civil, em conjunto com o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), tem buscado junto aos órgãos se segurança público aumentar o número de agentes carcerários e também resolver o problema estrutural do prédio. Amanhã, representantes do Conseg se reúnem em Curitiba com o Secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária, Wagner Mesquita.
Na ocasião será entregue o projeto do Centro de Detenção Penitenciário (CDP) com todas as alterações pedidas e também um dossiê com informações sobre a Cadeia Pública de Arapongas. O documento aborda a questão estrutural do prédio e os riscos á saúde dos detentos, causados pela superlotação, infiltrações e falta de ventilação. (VANUZA BORGES)