A Delegacia da Mulher de Apucarana deve ouvir nos próximos dias um professor do Colégio Cívico-militar Padre José Canale, que fica na região do Jardim Ponta Grossa. O docente foi denunciado por assediar alunas, conforme boletim de ocorrência registrado há quase um mês, pela mãe de uma estudante. Administrativamente, a denúncia está sendo acompanhada na Ouvidoria do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana.
A denúncia é que o professor tocou nas coxas de uma estudante de 14 anos. Essa é a segunda vez que o professor é denunciado. Denúncias semelhantes foram registradas desde 2019, mas não teriam avançado por falta de provas na fase de apuração. Atualmente, o professor está afastado por motivos de saúde, sob atestado médico.
A ouvidoria do NRE admitiu que o professor denunciado é reincidente. Questionado sobre o fato de o professor ainda não ter sido afastado, o ouvidor do NRE, professor José Carlos dos Santos informou que o afastamento só poderia ser feito depois de um processo administrativo. Ele disse que uma sindicância anterior foi arquivada porque não foram feitas representações contra o docente e as pessoas envolvidas não compareceram para dar seus depoimentos. “Foi arquivado por falta de provas”, explicou.
Em relação à nova denúncia, a ouvidoria deve fechar o relatório do caso nos próximos dias. José Carlos dos Santos informou que em seu relatório deve recomendar à Secretaria de Estado da Educação (Seed) que seja aberto um processo administrativo contra o professor. Nesse tipo de caso, havia a possibilidade de uma sindicância, mas, diante dos fatos e documentos juntados, já seria possível ir direto para o processo administrativo.
Já na instância policial, a delegada responsável pelo caso, Luana Lopes, informou que o boletim de ocorrência foi registrado no dia 8 de abril. A adolescente inclusive já foi ouvida em escuta especializada, ou seja, foi atendida por uma psicóloga.
A delegada informou, no entanto, que deve pedir a prorrogação do prazo para o inquérito para que sejam feitas todas as oitivas necessárias. Nos próximos dias, devem ser intimadas a mãe da vítima, que fez as denúncias, uma colega da estudante que é testemunha dos fatos também o professor denunciado.
O diretor do Colégio Cívico Militar Padre José Canale, professor Roberto Carlos de Oliveira afirma que assim que ocorreu a denúncia o caso foi encaminhado para o NRE. “A gente mantém isso em sigilo até para não expor ninguém sem provas. Mas todos os procedimentos administrativos foram adotados imediatamente”, disse. Ele não soube dizer desde quando exatamente o professor denunciado está afastado das funções por motivos de saúde.
(CLAUDEMIR HAUPTMANN)