Ao contrário de quando a Petrobras anunciou queda nos preços dos combustíveis, a alta divulgada anteontem já foi repassada para as bombas. Durante a tarde de ontem, postos de Apucarana e Arapongas alteraram seus preços de gasolina e diesel em até R$ 0,20 o litro. Consumidores reclamaram do aumento de preço.
A Petrobras decidiu elevar o preço nas refinarias do diesel, em 9,5%, e da gasolina, em 8,1%. A informação foi divulgada na noite de anteontem em nota distribuída pela companhia. Segundo a Petrobras, o impacto nas bombas deverá ser de 5,5% para o diesel, ou mais R$ 0,17 por litro, e de 3,4% para a gasolina, mais R$ 0,12 por litro.
Os novos valores entraram em vigência a partir de ontem. Após ser aplicados nas refinarias, os reajustes seriam repassados para as distribuidoras que, por sua vez, os repassariam para os postos, chegando até o consumidor. Essa ‘cadeia’ foi a justificativa para que a queda dos combustíveis, anunciada nos dois últimos meses, não tivesse chegado às bombas de combustíveis.
Em outubro e novembro, a Petrobras anunciou redução de preços nas refinarias. No combinado dos dois meses, a gasolina teve redução de 6,3% e o diesel, 13,1%. Os valores mais baixos teriam sido ‘diluídos’ pelos custos operacionais nessas etapas da produção e distribuição, nunca chegando em sua totalidade ao consumidor final. Já a alta dos preços, anunciada neste mês, foi repassada no mesmo dia em que entrou em vigor, inclusive em patamar acima do anunciado em alguns postos.
A gasolina comum, que custava entre R$ 3,69 e R$ 3,79 o litro, subiu em média para R$ 3,89. “É difícil acreditar em qualquer coisa que as distribuidoras e refinarias nos falam. Ficamos sem entender. Quando abaixa o preço, o repasse demora. Já quando sobe, ele vem no mesmo dia. É uma situação complicada”, afirma Orestes Bobeki, gerente de um posto de combustíveis em Apucarana.
O diesel comum também aumentou. Antes, o combustível custava pouco mais de R$ 2,70 na maioria dos postos. Agora, saltou para R$ 2,90. Já o diesel S-10, cujo litro custava em torno de R$ 2,99, já chega a R$ 3,09. Proprietário de um outro estabelecimento também na cidade, Wellington Kreb afirma que o impacto poderá ser sentido em outros setores. “O diesel é o combustível dos caminhões, que transportam cargas por todo o Brasil. Com a alta, os custos de transporte de mercadoria aumentam, podendo levar à inflação”, afirma.
Para tentar reduzir o impacto aos consumidores, Kreb afirma ter repassado menos do que a alta. “Estamos comprando gasolina R$ 0,11 mais cara, mas repassamos R$ 0,10 nas bombas. Já o diesel, que estamos comprando R$ 0,17 acima dos valores anteriores, está custando R$ 0,06 a mais para o consumidor”, diz.
Gerente de um posto, em Arapongas, Flávio Reis espera redução no consumo. “Acreditamos que, com o aumento dos preços, muitos motoristas busquem reduzir o consumo. O movimento deve diminuir”, diz.
O cobrador Marcelo de Souza reclama da alta. “É um absurdo. O povo está sendo enganado. Não dá para acreditar que a alta chegou aos postos no mesmo dia em que entrou em vigor”.
O gerente comercial Rui Vignoli concorda. “Quem sofre é sempre a população. Pode parecer poucos centavos, mas dá uma grande diferença no final do mês”, afirma.