Não tem jeito. A tradição alavanca a venda de pescados na Semana Santa. O bacalhau, considerado ingrediente principal em muitas receitas do cardápio de Páscoa, fica em evidência seja pelo sabor ou pelo preço, considerado salgado por muitos consumidores, apesar dos comerciantes afirmarem que o produto não sofreu aumento de um ano para outro, só correção da inflação. O preço do peixe em posta salgada, por exemplo, varia até 37% nos supermercados e peixarias de Apucarana. O produto é encontrado de R$39,90 a R$54,90.
Já a diferença do lombo, parte mais nobre do bacalhau, congelado e dessalgado é ainda maior, 82%. O preço varia de R$43,90 a R$80,00. A alteração no preço leva em conta o tipo do bacalhau, a espessura, o corte e conservação, explica a atendente de uma peixaria, Laudicéia Farias. “Se é salgado ou dessalgado e o tamanho do bacalhau também influenciam no preço”, observa.
Segundo a atendente, a procura praticamente dobrou nesta semana e garante que o preço não teve quase alteração. “Quem tem o hábito de comprar peixe com frequência sabe que não aumentou nem o bacalhau. Já quem não compra direto, às vezes, se assusta com o preço principalmente do bacalhau”, diz.
A proprietária de uma outra peixaria, Marina Takiguti, confirma que o preço não teve alteração recentemente e está otimista com as vendas. “Este ano, as vendas aumentaram 50% em comparação ao ano passado”, diz.
A expectativa também é positiva nos supermercados. “Estamos vendendo bem todos os tipos de peixe, em especial, o filé de merluza, mas o bacalhau as pessoas também não deixam de comprar”, garante o gerente de supermercado Ronaldo Branco.
O também gerente de vendas Leandro Zaffalon, de outra rede de supermercado, avalia que as vendas estão melhores que em 2016. “O peixe sempre surpreende. A procura está grande. As pessoas têm comprado desde a sardinha ao bacalhau. Já a tilápia e o filé de merluza também tem muita saída por não ter espinho e ser prático”, diz.
Ainda segundo Zaffalon, as empresas têm se preparado para esse momento com oferta maior de variedades e também de preço. “Acredito que é uma junção de oferta com tradição”, diz.
CONSUMIDORES
O casal Aparecida e Edgar Canezin não tem como hábito consumir peixe durante o ano, mas na Semana Santa não abre mão. Ontem, eles foram até uma peixaria e garantiram dois quilos de pescada espalmada, o que custou R$32. “Bacalhau não dá para comprar. É muito caro”, comenta Aparecida.
A aposentada Maria de Lourdes Alves também só compra peixe na Semana Santa. “É bom comprar, porque não é bom comer carne. Tem que respeitar”, sublinha. Diferente de Maria de Lourdes, a aposentada Cinira Josefa da Silva é apaixonada por peixe. “Como peixe o ano todo, mas agora comprei cavalinha. O bacalhau está muito caro”, avalia.
Já o aposentado João Machado Faleiros Filho não vai abrir mão do bacalhau, mas pesquisou o valor em vários supermercados. “Encontrei o mesmo tipo de bacalhau com diferença de mais de R$10 por quilo. Bacalhau sempre é caro, mas vale a pena”, afirma.
Sardinha, tilápia e merluza agradam
Além do bacalhau, sardinha, tilápia e merluza lideram a lista de preferência dos consumidores. Marina Takiguti, dona de uma peixaria, acrescenta na lista cavalinha, pescada espalmada e Jundiá. “São peixes sem espinhos e com preço acessível”, diz.
A aposentada Beni de Lima garantiu ontem três pacotes de filé de merluza. “É prático”, resume. O preço do filé de merluza, pacote de 800 gramas, varia em torno de 18% nas peixarias e supermercados.
Já o preço da sardinha, que é um dos peixes mais comuns e baratos, varia de R$5.99 a R$ 9.70 eviscerado, o que representa 61%. A tilápia, que também é muito procurada, também apresenta variação no preço, 9.96%. O maior preço cobrado pelo pacote de 800 gramas é de R$27,49.