Em apenas um mês, o preço do café teve alta de 11,5% na região. A saca beneficiada de 60 kg, que em junho custava R$ 771, subiu para R$ 860 nesta semana, de acordo com informações do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab-PR). Se comparado com a cotação de um ano atrás, quando a saca custava R$ 448, a variação é de quase 92%. Segundo o Deral, a valorização do dólar, a queda na produção nacional e geada registrada no mês passado impactaram o preço do grão.
“O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo. Em 2020, o país produziu 63 milhões de sacas e a previsão para 2021 é de 50 milhões. Então, ocorre uma menor oferta de café no mercado. E isso somado a valorização do dólar causou essa alta”, comenta o economista do Deral, Paulo Franzini acrescentando que o produto estava defasado e que necessitada de uma recuperação no preço.
Além desses fatores, Franzini cita geada registrada no mês passado que prejudicou, sobretudo, a região cafeeira do Estado de Minas Gerais, principal região produtora de café do País. Com as perdas, o mercado cafeeiro econômico reagiu com a elevação dos preços.
Ontem, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR) emitiu alerta de uma nova geada para a região cafeeira mobilizando produtores a enterrarem plantios recentes para evitar perdas (ler box). Se a frente fria afetar as lavouras outra vez, o preço do café poderá subir.
“Se o dólar ficar na faixa de R$ 5 e a frente fria não afetar as plantações há uma tendência de estabilidade de preço acima. Mas é preciso esperar passar o frio ver como será o cenário de produção”, comenta.
Contudo, o economista já prevê efeitos negativos na safra do próximo ano. “É muito cedo para falar nisso, mas teremos uma safra menor em 2022 por conta da geada e também por causa da seca que o Paraná sofreu no ano passado e neste ano que afetaram a produção”, comenta.
Em relação a qualidade do café, Franzini afirma que não houve alteração na safra. Segundo eles, os produtores já colheram a metade da safra na região e no Estado. “São cafés de boa qualidade. Até agora não houve constatação de danos nessa geada que já ocorreu”, confirma.