O preço do leite subiu quase 36% em um mês nos supermercados da região. De acordo com os estabelecimentos, o custo de produção, que já é mais alto neste período do ano, foi bastante agravado pela greve dos caminhoneiros. Aumento em poucos dias assusta consumidores. O litro de leite longa vida, que estava sendo comercializado, em média a R$ 2,80, subiu R$ 1 e passou para um preço médio de R$ 3,80 nos supermercados de Apucarana e Arapongas.
A paralisação dos caminhoneiros em todo o Brasil entre 21 e 30 de maio, interrompeu o ciclo de produção do leite. Com a impossibilidade de trafegar nas estradas, os caminhões não conseguiram transportar o produto, fazendo com que diversos produtores registrassem perdas significativas. A Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos) contabilizou um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão para os produtores de todo o Brasil nos 10 dias de greve, com mais de 300 milhões de litros jogados fora.
A situação se refletiu nas gôndolas dos supermercados, com redução de estoques. O produto foi um dos primeiros a faltar nos estabelecimentos. Depois, veio o aumento do preço. O leite longa vida integral, vendido em caixinhas de um litro, podia ser encontrado custando em torno de R$ 2,80 antes da greve dos caminhoneiros. Hoje, os mercados comercializam o produto custando em torno de R$ 3,80, alta de 35,7%.
Adriano Zalilio, um dos responsáveis pelo setor de compras de uma rede de supermercados de Apucarana, explica que os produtores tiveram que retomar a distribuição do leite ao fim da greve dos caminhoneiros em uma situação difícil. “A maioria perdeu muito da produção e teve que aumentar os preços após a paralisação para cobrir os prejuízos”, diz.
Outro fator que afetou os preços foi o aumento dos insumos para os produtores. “Os produtores afirmam que houve uma alta significativa nos custos de produção, principalmente na ração animal, também por conta da greve dos caminhoneiros. Isso tudo impacta no preço final”, ressalta Adriano.
O preço dos derivados de animais, como a carne e o próprio leite, tradicionalmente registra alta nesta época do ano. No entanto, o período de manifestações dos caminhoneiros fez com que a alta dos preços fosse agravada. É o que afirma Rogério Duarte, gerente de um supermercado em Arapongas.
“Como os produtores tiveram que jogar leite fora, a produção parou por completo e não havia estoque quando a greve acabou. A produção teve de ser reiniciada do zero. Com isso, a oferta do produto ainda é menor do que a demanda, elevando os preços”, diz ele.
Rogério aponta ainda que muitos consumidores têm reclamado. “Apesar das vendas ainda não terem sido afetadas, já houve muitas reclamações de clientes. É compreensível, já que há alguns dias, o ritmo de alta foi de R$ 0,10 por dia”, lembra.