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Preço do óleo diesel preocupa agricultores do Vale do Ivaí

Ivan Maldonado

| Edição de 14 de outubro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Após o aumento de impostos sobre os combustíveis, o preço do óleo diesel na região passou a ser comercializado em média R$ 3. A alta não prejudica apenas o setor de transportes, mas a agricultura. Hoje, o setor é responsável pelo consumo de mais de 15% do óleo diesel vendido no Brasil. Preocupados com o impacto do combustível no curto de produção, os agricultores pedem preço diferenciado para o setor agrícola. 

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O impacto do aumento começa a ser sentido  principalmente agora, no início do plantio da safra de verão. O produtor rural Hamilton Vanjura fez as contas e ficou assustado. Segundo ele, só para plantar quatro alqueires de soja o trator agrícola consome 150 litros. Para combater pragas e doenças são pelo menos mais 900 litros, com pelo menos seis pulverizações. Na colheita serão mais 150 litros para colheitadeira. 
Sem contar com o diesel para o transporte após a colheita, serão gastos R$ 3,6 mil com o combustível. “O que equivale a 60 sacas de soja. Isso significa que mais de 10% da safra será para cobrir só o óleo. É um absurdo. O que mais nos preocupa é que se o mercado da soja cair, vai ficar ainda mais complicado para todo mundo”, comenta Vanjura. 
O produtor de leite, José de Oliveira Pinto, tem um trator que usa na produção de milho para silagem e, em épocas de plantio, consegue um extra para gradear o solo em sítios vizinhos.  “Não foi só o diesel que subiu, o óleo de carter que eu pagava no ano passado R$ 8,90 hoje é R$ 14,20. Mas o valor do serviço que cobrava há três anos é o mesmo de hoje, e não tem como aumentar senão perde cliente. Só não paro porque não tenho outra coisa para fazer”, relata. 
O presidente do Sindicato Rural de Ivaiporã, Donizete Pires, diz os aumentos no diesel preocupam muito, pois elevaram o custo de produção, que não é repassado para o preço final. “Na nossa região a soja é o carro-chefe. Uma commodity regulada pelo mercado internacional, de modo que não tem como repassar o aumento nos custos, o que significa menos lucro para o produtor. Sofrimento também para a agricultura familiar, que além de ter o trator para o trabalho na lavoura, em muitos casos também usa o maquinário para transportar os produtos até a cidade”, analisa. 
Ainda segundo Pires, pela importância do setor agrícola para a economia do país, seria necessário que o óleo diesel tivesse um preço diferenciado para a agricultura. 
“Infelizmente, o governo não está nem aí com o produtor, e nem um pouco preocupado com o custo de nossa produção. Tanto é verdade que o maior sofrimento dos agricultores são as importações. É o caso do trigo, o Brasil importa o grão de outros países com baixíssimos impostos, fazendo concorrência com a produção brasileira”, argumenta Pires.