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Preço em baixa derruba mercado futuro

Ivan Maldonado

| Edição de 17 de dezembro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Com produtores mais capitalizados e com preço não muito atrativo, o mercado da soja futura anda a passos lentos. Os contratos de comercialização antecipada de soja com vencimento para a safra 2017, não anima os produtores paranaenses, que esperam melhor preço para fechar negócio. Segundo informações do Departamento de Economia Rural (Deral), ligada Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), poucos contratos foram fechados até agora no estado. Em 2015 nessa mesma época do ano, os produtores já haviam comercializado 33% da soja que seria colhida. Nesse ano os agricultores comercializaram apenas 13% da soja plantada. 

Imagem ilustrativa da imagem Preço em baixa derruba mercado futuro

Na região, a situação não é diferente. Na unidade de Ivaiporã, da Coamo Agroindustrial Cooperativa, por exemplo, os contratos futuros da commodities não alcançaram 8% do volume total plantado da região. Em igual período de 2015, por conta da crise, a negociação envolvia 50%. A média para o período é de 39%.
Além de Ivaiporã, a unidade atende os agricultores de Arapuã, Ariranha do Ivaí, Jardim Alegre e Lidianópolis, com área plantada de soja nessa região de aproximadamente 30 mil hectares. O preço da soja para mercado futuro estava sendo contratado ontem em R$ 72,70.
Segundo o gerente da unidade, José Sales Saraiva, a comercialização da soja futura praticamente não existiu nesse ano. “Na última safra como a soja chegou a R$ 85 a saca e eles (agricultores) tinham fechado contrato antecipado na média a R$ 67, o produtor desanimou e agora está apostando que se deixar para comercializar na colheita terá um preço melhor, considerando talvez a alta do dólar, ou algum problema climático”, relata Saraiva.
Ainda segundo Saraiva, os mercados futuros de commodities são uma forma de propiciar um certo “seguro”, em meio a tanto risco. Pois ajudam a balizar os negócios e possibilitam uma “garantia” quanto à queda de preços.
“A medida certa é a comercialização em etapas, protegendo o custo dos insumos. Acertar na mosca, como está se pretendendo é difícil. Historicamente com a comercialização parcelada, o produtor erra menos. Aquele que espera para vender tudo na colheita, pode acertar uma vez, mas erra 10”, comenta Saraiva.
O produtor Leonar Trombini, que plantou 100 alqueires de soja no município de Lidianópolis, negociou apenas 15% do potencial neste ano. Em 2015, ele antecipou 50% da área. “Naquele momento compensou, já que fechei a R$ 77 a saca. Mas neste, pelo cenário que se tem pela frente, compensa esperar. A expectativa é que no porto a soja fique na casa dos R$ 90. Existem expectativas mais otimistas ainda, que no porto poderia chegar até R$ 100”, destaca Trombini.
Trombini, que também é economista e engenheiro agrônomo diz que a expectativa dos produtores por preços melhores da soja brasileira é por conta da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Pois, os Estados Unidos devem endurecer ainda mais sua posição com relação à China a partir do próximo ano, quando Trump assume a presidência do país. “Por isso, que está se cogitando esse preços de R$ 90 a R$ 100 no porto”, enfatiza Trombini.

LAVOURA
Mesmo com o período de seca no mês passado, as lavouras de soja da região de Ivaiporã caminham bem e já animam os agricultores, que seguem confiantes de que terão uma boa colheita.
Segundo o agrônomo da Coamo, Marcio José Messias da Silva, na área de abrangência da unidade, as lavouras se encontram em boas condições, com 40% da área plantada em fase de floração e 60% em desenvolvimento vegetativo. “Se continuar nesse ritmo teremos uma ótima produtividade”, completa Silva.