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Prefeitura vai fechar definitivamente o Parque das Aves

Renan Vallim

| Edição de 23 de janeiro de 2017 | Atualizado em 24 de janeiro de 2017

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Após anos cuidando e sendo fiel-depositário de animais silvestres para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Prefeitura de Apucarana anunciou ontem que vai fechar o Parque das Aves definitivamente, por determinação do próprio órgão ambiental. A ação foi avaliada pela administração como um ‘contrassenso’, já que o próprio Ibama enviava os animais ao parque para cuidados.
O Parque das Aves de Apucarana está fechado há quase seis meses. O Ibama alega que o local, que era muito visitado principalmente por crianças, não tem a estrutura necessária para estar em funcionamento. A Prefeitura foi ainda multada em R$ 100 mil. Por não ter os recursos necessários para as melhorias exigidas, a administração municipal anunciou o fechamento do espaço.

Imagem ilustrativa da imagem Prefeitura vai fechar definitivamente o Parque das Aves


“Para voltar a receber visitantes, o parque precisa ser transformado em zoológico, o que exige um investimento de aproximadamente R$ 280 mil. A alteração elevaria também os custos de manutenção, principalmente com a folha de pagamento, de R$ 26 mil mensais para mais de R$ 70 mil. A Prefeitura não tem condições neste momento de arcar com esses custos”, afirma o prefeito Beto Preto (PSD).
O embargo foi definido pelo Ibama em agosto de 2016, baseado em uma mudança recente da legislação que trata sobre espaços públicos mantenedores de animais silvestres. Com isso, cerca de 60 animais foram remanejados para outros lugares. A prefeitura espera a remoção dos as espécies remanescentes para fechar o parque definitivamente.
“Há anos, a Polícia Ambiental e o próprio Ibama nos entregam animais que precisam de cuidados. Temos aves mutiladas, com asas cortadas, patas amputadas, que tratamos e criamos porque não têm condições de voltar para natureza. Isso tudo sem nenhuma ajuda estadual ou federal, apenas recursos municipais. Não conseguimos entender o motivo para esse embargo”, afirma o prefeito.
“Fechar o parque nunca esteve nos nossos planos. Tanto é que investimos na melhoria do espaço, que hoje é muito melhor do que quando assumimos, em 2013. O problema de furtos de animais foi resolvido e hoje o espaço conta com alarme e câmeras de segurança”, afirma Beto Preto.
Hoje, 130 animais ainda estão no bosque. Esse número já esteve acima em 300, mas o Ibama já fez a remoção de vários animais. Isso preocupa a administração pública. “O Ibama levou esses animais para criadouros particulares. O estranho é que levaram apenas os animais mais valiosos. Pessoas dos criadouros particulares chegaram a entrar no bosque e escolheram os animais que o Ibama deveria enviar a eles”, diz o prefeito, que deverá fazer um ofício ao Ibama para saber para onde foram levados os animais.

Espaço existe há mais de 50 anos
A área do Bosque Municipal, onde o Parque das Aves se encontra, foi criada em 1963 como forma de preservar a mata remanescente. Mesmo com mais de 50 anos de existência, o espaço nunca teve licença ambiental, mas recebeu animais por vários períodos. Mesmo assim, era um dos poucos locais da região onde o Ibama e demais órgãos ambientais levavam aves, répteis e mamíferos para receberem tratamento. O local possui 21 mil m² .
Além de tratadores, um veterinário e uma bióloga atuavam no parque. Boa parte dos bichos foi encaminhada pelo próprio Ibama. “Os animais eram medicados, tratados e, se conseguissem se recuperar plenamente, colocados na natureza novamente. Os que não tinham condições de sobreviver eram mantidos no parque”, afirma o veterinário do local, Wilson Toschi.
Segundo ele, poucos espaços no Paraná possuem essa estrutura para cuidado de animais silvestres. “O cuidado que os animais recebem é excelente. Todos são muito bem cuidados e possuem todo o suporte necessário para se recuperarem”, aponta Wilson. Todas as araras, tucanos, trinca-ferros e jabotis, além de alguns papagaios, já foram retirados do parque pelo Ibama. Continuam no parque primatas como saguis, micos e macacos-prego, além de pavões e tartarugas. A maior parte dos animais que ainda está no parque possui algum problema, como amputações ou cegueira.
Todo o trabalho é custeado pelos cofres do município. Não há aporte financeiro federal ou estadual. A multa instaurada pelo Ibama é de R$ 100 mil. A Prefeitura está recorrendo da decisão na Justiça. Com o fechamento definitivo do parque, a administração ainda não sabe o que fará com o espaço.