O sequestro de dados está cada vez mais comum no Vale do Ivaí. Num período de dois anos, três municípios já foram alvos de hackers que exigem pagamento para devolver as informações às prefeituras. A última vítima deste tipo de crime foi Rio Branco do Ivaí, cuja prefeitura foi impedida por um criminoso virtual de acessar os dados do sistema. A invasão foi detectada na segunda-feira, quando os funcionários chegaram para trabalhar e não conseguiram acessar as informações que estavam nos computadores. O invasor exigiu 4 bitcoins - moeda virtual que não permite o rastreio - que foi pago no mesmo dia, o que representou um gasto de R$ 8 mil ao caixa da prefeitura.
De acordo com chefe do setor de Contabilidade, Luiz Henrique Bizotto, após o valor ser pago, o hacker, que seria da Holanda, enviou um arquivo para descriptografar os arquivos. “Imediatamente, nós fizemos um backup dos dados. No dia seguinte, ele invadiu novamente o sistema e exigiu novamente resgate dos dados, porém não vamos pagar. O hacker ainda teve a ousadia de dizer que como descuidamos da segurança, deveríamos pagar novamente”, conta.
Biazotto espera que até a próxima semana o sistema seja restabelecido. “Esperamos conseguir restabelecer os dados recuperados no sistema até segunda-feira, mas caso não consigamos, vai ser complicado recuperar toda a infraestrutura de dados”, afirma. Após a invasão, ele revela que algumas medidas já foram tomadas como instalação de uma antivírus mais sofisticado e adotaram um novo sistema, que não permite acesso remoto ao servidor, além adotar o backup diário das informações. “Parece coisa de filme”, diz.
No início do mês passado outro município da região foi vítima deste tipo de crime. Porém, diferente de Rio Branco, Grandes Rios não cedeu a chantagem. O prefeito Antônio Cláudio Santiago disse na época que a extorsão era de R$ 9,4 mil e caso não fosse pago em 24 horas dobraria o valor, assim também como foi exigido de Rio Branco.
Em 2014, Lunardelli passou pela mesma situação. Segundo o prefeito Hilário Vanjura, o valor pedido foi de R$ 8 mil, que não foi pago. “Foram quatro meses bem complicados. Não conseguíamos pagar fornecedores e, para não deixar de pagar os servidores, tivemos que repetir a folha de pagamento sem hora extra nem gratificação”, recorda.
Após a invasão do hacker, que dizia ser do Leste Europeu, de acordo com Vanjura, foi criado um setor voltado para cuidar somente do sistema de informação da prefeitura. “Instalamos antivírus melhores, programas só originais, fazemos backup todos os dias e trocamos as senhas todos os fins de semana e feriado. Se vierem agora estamos preparados”, afirma.
Todos os municípios registraram boletins de ocorrência. Empresas de segurança na internet e a polícia recomendam não ceder à extorsão e investir em sistemas se segurança.