Os 35 municípios pertencentes aos escritórios regionais de Ivaiporã e Apucarana da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (SEAB) foram as que registraram a maior quebra na safra de soja em todo o Paraná. Com a produtividade até 33% menor do que o esperado, as perdas devem atingir quase R$ 450 milhões, afetando a economia da região.
A chuva forte na época de pico da colheita, entre meados de fevereiro e março, foi a grande causadora dos prejuízos, impedindo os trabalhadores de entrarem com maquinário na terra úmida. Como a soja depende de tratores, colheitadeiras e demais máquinas pesadas, ela foi a cultura mais afetada.
Com o atraso na colheita, boa parte dos grãos germinou na própria planta. Outros foram atacados por pragas, mofo ou simplesmente foram avariados, resultando em baixa qualidade.
De acordo com dados divulgados pela SEAB na semana passada, ainda falta colher cerca de 10% do total plantado, mas as perdas já são consideráveis. Neste ano, os agricultores da região resolveram apostar mais na soja, visto que a área plantada na região de Ivaiporã passou de 290 mil hectares (ha) para 295,2 mil, (alta de 2%). Na região de Apucarana, a área foi de 119 mil ha para 123,1 mil (+3%).
No entanto, as chuvas derrubaram a produtividade. A expectativa nas lavouras antes da colheita era de uma produção de 3.450 quilos por hectare (kg/ha). Porém, nos 22 municípios da Regional de Ivaiporã, a produtividade está sendo, em média, de 2.316 kg/ha, o que resulta em uma perda de quase 335 mil toneladas. Com a saca de 60 kg da soja a um custo de R$ 63, as perdas ficaram em torno de R$ 351,5 milhões.
“É um prejuízo para toda a economia regional. Perde o produtor, o Município, o Estado com menos arrecadação de impostos. Esse é um dinheiro que deixa de movimentar o comércio da região”, comenta o gerente da unidade da Coamo na região de Ivaiporã, José Sales Saraiva.
Rogerio Crozato, que arrenda 32 alqueires em Ivaiporã, é um dos produtores que não terá lucro nesta safra. Ele conta que colheu metade do que esperava e relata ainda que deixou de ganhar também com a queda no valor do produto. “Há vinte dias, a saca era vendida há R$ 70. O dólar caiu e a soja baixou para R$ 63. Só vai dar para pagar a renda para os donos da terra”, conta.
Para tentar reverter o prejuízo, Crozato relata que plantou 15 alqueires de milho e pretende plantar mais 17 alqueires de trigo. “Agora é torcer para que o clima continue bom e os preços sejam justos na colheita”.
Região tem economia rural
Em Apucarana, o rendimento tem sido um pouco maior, chegando a 2.692 kg/ha. Mesmo assim, os 13 municípios da região devem perder em torno de 93,3 mil toneladas, resultando em um prejuízo de R$ 98 milhões.
“A soja já vinha apresentando problemas desde o plantio, que também foi feito em um período com chuvas. A SEAB inclusive já havia reduzido a expectativa de colheita em janeiro deste ano. As chuvas em fevereiro e março pioraram ainda mais o cenário para os produtores, sobretudo porque a qualidade da produção ficou muito baixa em boa parte do plantio, o que aumentou ainda mais as perdas”, destaca Paulo Franzini, chefe do Departamento de Economia Rural (Deral) do Núcleo Regional da SEAB de Apucarana.
Segundo ele, toda a região perde com a quebra da safra. “Muitas cidades têm suas economias dependentes da lavoura. Esse dinheiro perdido deixa de circular na economia local, causando grandes perdas para todos”, avalia.