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Presentear está mais barato neste ano, mas tendência é de economia nas compras

Folhapress

| Edição de 10 de dezembro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A cesta de produtos para a ceia do Natal deste ano subiu 10,19%, de acordo com pesquisa divulgada pelo Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da Fundação Getulio Vargas. Se a ceia está mais salgada, em contrapartida, houve recuo nos preços dos presentes no período de 12 meses. A média dos preços ficou em 4,23%, índice que está abaixo da inflação.
O economista André Braz, coordenador do IPC do FGV/Ibre explica que isso ocorre porque entre os presentes há muitos bens duráveis que são adquiridos financiados.

Imagem ilustrativa da imagem Presentear está mais barato neste ano, mas tendência é de economia nas compras


"Ninguém está se comprometendo no longo prazo com essa taxa de juros alta, até porque está com medo de perder o emprego. Isso diminuiu muito o consumo de eletroeletrônicos", explicou. Com isso, os preços não tiveram como avançar.
Apesar disso, o economista não aconselha os consumidores que não se prepararam para comprarem bens duráveis neste momento. "Está mais na época da gente economizar dinheiro". A recomendação é que deem preferência a bens que não ocupam muito espaço no orçamento, como vestuário, por exemplo, incluindo roupas e calçados, cujos preços evoluíram 3,77% entre dezembro de 2015 e novembro deste ano. "Dá para a gente presentear com coisas que cabem mais no bolso e não precisam de financiamento de longo prazo".
Em termos de consumo, a ordem parece ser mesmo moderação e o Natal deste ano não deve ser muito diferente do de 2015, ao menos se depender da expectativa dos consumidores paranaenses em relação à compra de presentes. Menos pessoas devem ser presenteadas, porém ticket médio tende a ser um pouco maior. A informação é da sondagem de Intenção de Compras para o Natal, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR). A pesquisa revela que 75,5% das pessoas pensam em presentear alguém. Na sondagem realizada em 2015, 77% dos consumidores tinham intenção de oferecer algum tipo de lembrança.
Aqueles que planejam presentear até cinco pessoas somam 83%. Em 2015 eram 79% e, no ano de 2014, esse mesmo indicador era de 64%. Os que pretendem presentear entre seis e dez pessoas são 16%, enquanto no ano passado eram 19% e, em 2014, 29%. Os mais generosos somam 1%. Eles disseram que irão presentear mais de 10 pessoas neste Natal. No ano passado eles eram 3%. Em 2014 somavam 7% dos entrevistados.

À VISTA
A sondagem da Fecomércio PR revela ainda que, este ano, o pagamento à vista deve ser a preferência de 55% dos paranaenses, contra 59% em 2015. A segunda forma de pagamento mais utilizada para as compras natalinas será o cartão de crédito parcelado, que representa a opção de 30% dos consumidores pesquisados. Em 2015 somava 27%. O cartão de crédito direto para o vencimento é a escolha de 13% dos que pretendem comprar um presente. Em 2015 era a opção de 11%. O carnê, ou crediário, aparece como possibilidade de pagamento para 2% dos consumidores, igual ao do ano de 2015.

Ceia sofre mais efeitos da recessão
A cesta de produtos para a ceia do Natal deste ano subiu 10,19%, de acordo com pesquisa do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da Fundação Getulio Vargas. O resultado supera a inflação média de 6,76%, acumulada nos últimos 12 meses medida em novembro, segundo o IPC, da FGV.
Entre os itens com maior aumento de preço, destaque para azeite (17,52%), vinho (16,95%) e frutas frescas (16,91%). 


O economista André Braz, coordenador do IPC do FGV/Ibre, disse que como se espera uma inflação para o ano abaixo de 7%, a alta de 10,19% é real. "Quer dizer que esses produtos já vão pesar nos orçamentos comprometidos pela crise que a gente atravessa. O consumidor vai ter que usar, mais do que nunca, sua criatividade, para botar o mínimo na ceia".
Braz avaliou que ao fazer as compras para o Natal, o consumidor não terá nenhum alívio. Vai perceber o efeito dos aumentos recentes. "Ainda que a inflação esteja cedendo agora, com as taxas recuando, isso ainda é um desafio porque os alimentos acumulam uma gordura muito grande do tempo em que estavam subindo de preço".