A cesta de produtos para a ceia do Natal deste ano subiu 10,19%, de acordo com pesquisa divulgada pelo Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da Fundação Getulio Vargas. Se a ceia está mais salgada, em contrapartida, houve recuo nos preços dos presentes no período de 12 meses. A média dos preços ficou em 4,23%, índice que está abaixo da inflação.
O economista André Braz, coordenador do IPC do FGV/Ibre explica que isso ocorre porque entre os presentes há muitos bens duráveis que são adquiridos financiados.
"Ninguém está se comprometendo no longo prazo com essa taxa de juros alta, até porque está com medo de perder o emprego. Isso diminuiu muito o consumo de eletroeletrônicos", explicou. Com isso, os preços não tiveram como avançar.
Apesar disso, o economista não aconselha os consumidores que não se prepararam para comprarem bens duráveis neste momento. "Está mais na época da gente economizar dinheiro". A recomendação é que deem preferência a bens que não ocupam muito espaço no orçamento, como vestuário, por exemplo, incluindo roupas e calçados, cujos preços evoluíram 3,77% entre dezembro de 2015 e novembro deste ano. "Dá para a gente presentear com coisas que cabem mais no bolso e não precisam de financiamento de longo prazo".
Em termos de consumo, a ordem parece ser mesmo moderação e o Natal deste ano não deve ser muito diferente do de 2015, ao menos se depender da expectativa dos consumidores paranaenses em relação à compra de presentes. Menos pessoas devem ser presenteadas, porém ticket médio tende a ser um pouco maior. A informação é da sondagem de Intenção de Compras para o Natal, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR). A pesquisa revela que 75,5% das pessoas pensam em presentear alguém. Na sondagem realizada em 2015, 77% dos consumidores tinham intenção de oferecer algum tipo de lembrança.
Aqueles que planejam presentear até cinco pessoas somam 83%. Em 2015 eram 79% e, no ano de 2014, esse mesmo indicador era de 64%. Os que pretendem presentear entre seis e dez pessoas são 16%, enquanto no ano passado eram 19% e, em 2014, 29%. Os mais generosos somam 1%. Eles disseram que irão presentear mais de 10 pessoas neste Natal. No ano passado eles eram 3%. Em 2014 somavam 7% dos entrevistados.
À VISTA
A sondagem da Fecomércio PR revela ainda que, este ano, o pagamento à vista deve ser a preferência de 55% dos paranaenses, contra 59% em 2015. A segunda forma de pagamento mais utilizada para as compras natalinas será o cartão de crédito parcelado, que representa a opção de 30% dos consumidores pesquisados. Em 2015 somava 27%. O cartão de crédito direto para o vencimento é a escolha de 13% dos que pretendem comprar um presente. Em 2015 era a opção de 11%. O carnê, ou crediário, aparece como possibilidade de pagamento para 2% dos consumidores, igual ao do ano de 2015.
Ceia sofre mais efeitos da recessão
A cesta de produtos para a ceia do Natal deste ano subiu 10,19%, de acordo com pesquisa do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da Fundação Getulio Vargas. O resultado supera a inflação média de 6,76%, acumulada nos últimos 12 meses medida em novembro, segundo o IPC, da FGV.
Entre os itens com maior aumento de preço, destaque para azeite (17,52%), vinho (16,95%) e frutas frescas (16,91%).
O economista André Braz, coordenador do IPC do FGV/Ibre, disse que como se espera uma inflação para o ano abaixo de 7%, a alta de 10,19% é real. "Quer dizer que esses produtos já vão pesar nos orçamentos comprometidos pela crise que a gente atravessa. O consumidor vai ter que usar, mais do que nunca, sua criatividade, para botar o mínimo na ceia".
Braz avaliou que ao fazer as compras para o Natal, o consumidor não terá nenhum alívio. Vai perceber o efeito dos aumentos recentes. "Ainda que a inflação esteja cedendo agora, com as taxas recuando, isso ainda é um desafio porque os alimentos acumulam uma gordura muito grande do tempo em que estavam subindo de preço".