Um princípio de motim foi registrado ontem na Cadeia Publica de Ivaiporã. Foi chamado reforço da PM para dar apoio a investigadores da Polícia Civil e agentes de cadeia do Depen. Após meia hora de negociação com o delegado Gustavo Dante, os presos se acalmaram. Na quarta-feira, 12 detentos fugiram da unidade por um túnel de 8 metros, a polícia tem informações que um novo túnel está sendo cavado. Outra fuga foi registrada no domingo.
A confusão começou por volta do meio-dia. No lado de fora da carceragem, o delegado da 54ª Delegacia Regional de Polícia (DRP), Gustavo Dante, tentava acalmar os ânimos. Os internos reclamavam da falta de assistência médica - um interno estaria estava passando mal -, das péssimas condições da cadeia e também da falta de espaço até mesmo para dormir.
“A rapaziada fica aqui sem saber o que acontece, tem preso (provisório) aqui há cinco anos e nem foi julgado ainda”, relatou um dos detidos.
O delegado solicitou a condução do interno ao Pronto Atendimento Municipal e cobrou dos presos as constantes tentativas de fugas.
Após ouvir as reivindicações, o delegado relatou que vem há mais de três anos pedindo a transferência dos presos condenados, o que aliviaria a situação da carceragem. Segundo Dante, após as fugas recentes, as conversas com as autoridades têm se intensificado. “Ontem (anteontem) mesmo estivemos conversando com autoridades do Depen que prometeram providências para breve. Por isso, peço a compreensão de todos”.
A carceragem de Ivaiporã tem capacidades para 32 detentos, no entanto, abriga mais de 140, destes metade são de presos condenados. Devido à falta de espaço não existe mais celas separadas e o local é denominado pelos próprios presos como “barracão”.
Segundo o delegado Gustavo Dante, há informações do setor de investigação da Polícia Civil que alguns detentos já iniciaram um novo túnel. “A estrutura da cadeia é bastante antiga, o piso está bastante fragilizado e isso facilita essas tentativas de fugas. Essa noite (ontem) só não ocorreu uma nova fuga porque investigadores e agentes ficaram 24 horas monitorando e cercando o prédio”, completa Dante. (IVAN MALDONADO)