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Procura por vacina da febre amarela dispara

Vanuza Borges

| Edição de 04 de fevereiro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Com avanço de casos de febre amarela em Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, a procura pela vacina disparou na região. Os municípios têm registrado um aumento diário na procura pelo imunizante nas unidades de saúde. Em Apucarana, de acordo com a Autarquia Municipal de Saúde (AMS), 436 pessoas, entre crianças e adultos, tomaram a vacina em janeiro do ano passado. No mesmo mês deste ano, quando deu início ao surto da doença que já vitimou mais de 45 pessoas, 1.177 apucaranenses procuraram salas de vacinas para tomar o imunizante contra à febre amarela, o que representa um aumento de 170%. 

Imagem ilustrativa da imagem Procura por vacina da febre amarela dispara

Em Ivaiporã, o aumento também foi expressivo. De um ano para o outro saltou 150% nos últimos dias. Antes eram aplicadas 20 doses da vacina por dia, atualmente são 50. (Ver box) Arapongas também registrou um aumento na procura pelo imunizante, mas não sabe precisar um número exato, uma vez que o relatório é fechado todo dia 10, segundo a responsável pelo Setor de Imunização da Secretaria de Saúde do Município, a enfermeira Graziella Stefanuto.
Apesar dos municípios registrarem um aumento significativo na procura pela vacina da febre amarela, a 16ª Regional de Saúde (RS) mantém os estoques normais. As autoridades de Saúde, tanto da RS quanto dos municípios, garantem que não há motivo para pânico por duas razões: tem vacina em quantidade suficiente para a população e não são todas as pessoas que precisam tomar o imunizante.
O chefe da Divisão de Vigilância em Saúde, da 16ª RS, Marcos Vinícius da Costa, explica que a vacina de febre amarela está prevista no calendário de vacinação e devem tomar a vacina crianças a partir de 9 meses (1ª dose) e aos 4 anos 2ª dose (reforço). “As pessoas que ainda não foram vacinadas devem tomar a 1ª dose e aguardar dez anos para tomar a 2ª dose (reforço). Aqueles que já tomaram as duas doses estão imunizadas pelo resto da vida”, afirma.
Costa frisa que é importante ressaltar que as pessoas que vão viajar para as áreas, que são aquelas que têm registro da doença, devem ter atenção especial. “Neste caso, deve-se procurar a unidade de saúde para receber orientações”, aconselha.
De acordo com o chefe da Vigilância, em casos de dúvidas se tomou ou não a vacina, a pessoa deve procurar a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) com a sua carteira de vacinação (se tiver) e se for constatado que não tomou, deverá tomar a vacina. “Não é necessário nem recomendado tomar mais que duas doses da vacina, porém, caso isso ocorra, não trará riscos para saúde do indivíduo”, assinala.
Costa explica ainda que a vacina, composta por vírus vivos atenuados, é aplicada via subcutânea. “Os estudos demonstram que a vacina tem efeito de proteção de 95% e passa a produzir efeitos por volta de dez dias da data de aplicação. E após a segunda dose, o indivíduo fica imunizado por toda a vida”, sublinha.
Costa observa ainda que o último caso de febre amarela silvestre registrado no âmbito da 16ª RS foi no ano de 2015, no entanto, trata-se de um caso importado, ou seja, a pessoa contraiu a doença em outro local (Mato Grosso), quando viajou para uma pescaria e retornou com a doença.

Depois de aberta, vacina tem duração de 6 horas
O chefe coordenador do Setor de Epidemiologia, da Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana, Luciano Pereira da Silva revela que a procura pelo imunizante é diária. “Todos os dias recebemos ligações de pessoas com dúvidas sobre a vacina da febre amarela. Neste caso, sempre recomendamos que a pessoa vá até uma unidade básica de saúde, com ou sem a carteirinha, para que possa receber a orientação de um profissional de saúde”, orienta.
Silva observa que a vacina da febre amarela não é monodose. “O frasco da vacina contém dez doses e quando aberto tem um período de duração de 6 horas, mesmo quando mantido na temperatura recomendada, porque é feita de vírus vivos. Por isso, elaboramos um cronograma de vacinação”, explica.
De acordo com o cronograma, cada UBS, com sala de vacina, tem o dia certo para atender a população e evitar o desperdício do imunizante. Atualmente, Apucarana tem 22 UBS com salas de vacinas.

Mosquito Aedes é o grande vilão
Há basicamente duas maneiras de prevenir a doença: a vacina e a eliminação de focos do mosquito Aedes. Desde 1942, o Brasil não registra casos de febre amarela urbana, somente silvestre. De acordo com o Instituto Fio Cruz, a febre amarela é transmitida por diferentes espécies dos mosquitos Aedes e Haemogogus, que carregam o vírus de um hospedeiro para outro, principalmente entre macacos, de macacos para seres humanos, e de pessoa para pessoa.
São dois ciclos basicamente de transmissão. A primeira é a silvestre, que ocorre em macacos infectados por mosquitos silvestres. Na sequência, os macacos infectados transmitem o vírus para outros mosquitos que se alimentam deles. São esses mosquitos infectados que picam pessoas que adentram a floresta.
A segunda é a urbana. Neste caso, pessoas infectadas introduzem o vírus em áreas densamente povoadas, com um elevado número de pessoas não imunizadas e mosquitos Aedes. Nestes casos, os mosquitos transmitem o vírus de pessoa a pessoa.

Monitoramento em Ivaiporã
Com notícias do surto de febre amarela em Minas Gerais, moradores de Ivaiporã, passaram a procurar pela vacina no Centro Municipal de Saúde (CMS). Em média são vacinadas diariamente 50 pessoas, antes eram imunizadas em torno de 20.
Em 2008, Ivaiporã chegou a ser incluída como área de monitoramento ativa do vírus da febre amarela, depois que dois irmãos do município de Laranjal (175 Km de Ivaiporã) foram infectados pela forma silvestre da doença. Um morreu e o outro foi internado em um hospital de Ivaiporã. Depois disso, não houve mais nenhum caso registrado na região.
De acordo com o coordenador do Programa de Imunização do CMS, enfermeiro João Felipe Marques, não há necessidade de pânico, já que a cidade não integra a área de recomendação da vacina contra a febre amarela.
Marques explica que a vacina é indicada para crianças aos 9 meses de idade, com um reforço aos quatro anos. Porém, é contraindicada para gestantes, pessoas com mais de 60 anos, com imunidade baixa, crianças menores de seis meses e lactantes.
(IVAN MALDONADO)