Diabético, hipertenso e com colesterol alto, Jorge Katsuaki Kawasaki, 59 anos, de Apucarana, garantiu a imunização contra gripe H1N1 no primeiro dia de vacinação. Com o atestado de doente crônico, é o quarto ano consecutivo que ele não abre mão da vacina. “Faz a diferença. Depois que comecei a tomar a vacina, nunca mais fiquei gripado”, afirma o apucaranense. Ele foi atendido na Unidade Básica de Saúde (UBS) Romeu Milani, que fica na área central. Durante todo o dia, o local foi procurado por quem quer passar longe da gripe.
A procura também foi intensa nos bairros. No Jardim Ponta Grossa, na UBS Maria do Café, no período da manhã chegou a formar fila à espera do imunizante. No início da tarde, mais de 300 doses da vacina já haviam sido aplicadas. O aposentado Santino da Cruz dos Anjos, de 64 anos, é morador do Recanto Mundo Novo, mas não quis esperar até sábado para receber o imunizante. “Aproveitei e vim aqui tomar a vacina, para evitar essa gripe. Não dá para esperar, porque a gente fica preocupado”, justifica. Ele aproveitou a oportunidade e também levou a filha Lainara Santana dos Anjos, de 2 anos, para tomar a vacina.
A dona de casa Vanilda da Silva, 36, também não esconde a preocupação com o vírus. “Tenho visto muita internação e até morte por causa dessa gripe”, diz. Ela levou o filho Cauê Cordeiro de Souza, de 1 ano e um mês para receber o imunizante. Não foram apenas as crianças e doentes crônicos que procuram a unidade, mas também os idosos. Hilda Rosa Barbosa, de 87 anos, toma a vacina regularmente há cinco anos. “Não fico mais gripada”, garante.
A enfermeira-chefe da UBS Maria do Café, Letícia Yako Okiyama, observa que os idosos compareceram, diferente dos anos anteriores. “Este ano a procura está maior”, afirma. Ela acredita que a presença maior está associada ao surto da doença em outros estados. Ainda sobre os idosos, a profissional avalia que alguns mitos sobre o imunizante já foram rompidos.
A enfermeira reforça ainda que neste primeiro momento serão vacinados somente os grupos prioritários. Letícia comenta que todos que serão vacinados, inclusive, sábado terá o “Dia D”, quando as unidades atenderão em horário especial. O atendimento será das 8h às 17 horas. “Hoje (ontem) formou fila, porque, além de atendermos a população do Vale Verde e do Marcos Freire, também recebemos pacientes das Unidade Bolivar Pavão e do Afonso Camargo”, justifica.
Para o diretor presidente da Autarquia Municipal de Saúde, Roberto Kaneta, apesar dos imprevistos, a movimentação esteve dentro do esperado. “Nossa expectativa quanto à afluência de pessoas foi atingida no primeiro dia, levantando em consideração a preocupação da população com doença”, analisa.
Após furto, 400
doses são perdidas
O atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Apucarana foi prejudicado em dois locais de vacinação: Bolivar Pavão, no Jardim América, e Núcleo Habitacional Afonso Camargo. Na Bolivar Pavão, 400 doses da vacina H1N1 foram perdidas. O local foi arrombado durante a madrugada.
Os criminosos desligaram a rede elétrica, comprometendo os imunizantes. Da unidade, três computadores foram levados. Nas máquinas continham todos os registros de atendimento dos agentes comunitários de saúde, registros de vacinas e controle de estoque da farmácia. Hoje, a vacinação deve ser retomada na unidade.
Na unidade “Dr. Eros Camargo Pacheco”, no Afonso Camargo Neto, um problema técnico na geladeira impossibilitou a armazenagem da vacina, o que atrasou o início da vacinação. No final da manhã de ontem, o serviço foi restabelecido. Um lote de vacina, acondicionado em caixa térmica, foi entregue na unidade para atender à população de risco.
A meta em Apucarana é vacinar 35 mil pessoas, entre crianças, de 6 meses a 5 anos incompletos, gestantes, puérperas, idosos, doentes crônicos, trabalhadores da Saúde e população carcerária.