O litro de leite mais caro nas gondolas dos supermercados assusta as donas de casa. Ontem, na região de Ivaiporã, as marcas mais baratas do leite UHT, aquele vendido em caixinha, eram encontradas por R$ 3,79 e as marcas mais caras por até R$ 4,45. Já o leite em saquinho tipo “C” era comercializado em média por R$ 3,39. Porém, a alta na prateleira não é sinônimo de mais lucro para o produtor, que reclama da disparada dos custos de produção.
De acordo com o agrônomo, Sergio Carlos Empinotti, da regional de Ivaiporã do Departamento Economia Rural (Deral), o aumento no preço do leite nos meses de inverno é tradicional, porém nesse ano foi antecipado em virtude do clima frio que chegou mais cedo. “Com o pasto mais escasso, as vacas produzem menos leite”, comenta.
Ainda segundo, Empinotti os custos com insumos e alimentação do gado - escasso, o milho vem aumentando de preço a cada dia - também refletem no preço do leite. “Com isso, corremos o risco de muitos produtores abandonarem a atividade. Eles reclamam que não recebem o reajuste devido das indústrias”, assinala Empinotti.
Ainda conforme Empinotti, a tendência é de que, daqui para frente o valor do produto tenha novos reajustes, pelo menos até a chegada da primavera. “Como o leite também começa a faltar em outras regiões, aumenta a procura pelo produto aqui do Vale do Ivaí e consequentemente o preço se eleva ainda mais”, explica Empinotti.
O produtor Marcos Alberto Anselmo, que produz diariamente em média 250 litros na localidade de Palmeirinha vai receber no próximo dia 10 do laticínio, o valor de R$ 1,39 por litro, referente ao leite entregue no mês de junho. No mês anterior recebeu R$ 1,29. “Isso porque nos temos uma associação com seis produtores e entregamos diariamente 1,5 mil litros. O preço varia conforme a quantidade comercializada. Se fosse entregar individualmente teria uma redução de cerca de R$ 0,15 por litro”, relata Anselmo.
Anselmo reclama ainda do aumento de preço da ração e da silagem cada vez mais alto. “Quando vendia o leite a R$ 1,00 eu pagava na ração R$ 0,75 era bem mais lucrativo que agora. Hoje estou vendendo o produto à R$ 1,39 mas pagando na ração R$ 1,25 o quilo. Enquanto o leite subiu 39% em um ano, a ração subiu 65%. “Também tenho despesa com medicamentos que subiu bastante, energia elétrica, sem contar a plantação do milho para a silagem. Não tenho muita noção do meu lucro, e até tenho medo de fazer a conta na ponta do lápis, pois corro o risco de ter que abandonar a atividade”, destaca Anselmo.
A preocupação de Anselmo é com os meses futuros. “Ainda está dando para sobreviver, mas na hora que o preço desse leite voltar a cair, lá por setembro, ai sim as coisas vão complicar. É assim sempre, o leite sobe na entressafra e depois na primavera cai, mas o preço dos insumos que também subiu não volta mais ao preço anterior”, completa Anselmo.