Creme dental, café, arroz, carne, açúcar, óleo de soja. Todos itens de consumo diário que estão entre os produtos que mais tiveram aumento de preço neste ano. Os dados são do levantamento feito pelo curso de Economia do campus de Apucarana da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), em parceria com o Procon local, que reforça que a inflação do supermercado é maior que os índices oficiais.
O creme dental e o limpador multiuso foram os itens que ficaram mais caros entre março e dezembro, chegando a um reajuste de quase 34%. Entre os 10 produtos com maior alta, o gênero alimentício ocupou as outras oito posições (ver quadro).
A pesquisa Unespar/Procon, que faz o levantamento de preços de 52 itens em seis mercados de Apucarana, realizou o primeiro levantamento de 2016 em 2 de março. Comparando os preços médios obtidos na época com os do último levantamento, feito em 13 de dezembro, foi constatado que a alta média de preços foi de 6,9%. O valor ficou acima da inflação oficial do período, que foi de 3,71%.
O creme dental foi o que mais registrou alta: 33,9%. O produto, que custava em média R$ 2,57, passou a ser encontrado em média a R$ 3,44. Logo em seguida ficou o limpador multiuso, com alta de 26%, passando de R$ 2,19 para R$ 2,76.
Na terceira posição geral e em primeiro entre os produtos alimentícios ficou a farinha de mandioca. Ela custava R$ 4,07 em março, mas subiu em média 22,6%, passando para R$ 4,99. Ainda completam a lista dos 10 produtos com maiores altas o açúcar cristal, o café, o quilo da carne bovina, o arroz, o milho verde enlatado, o achocolatado e o óleo de soja.
CONSUMIDOR
O policial João Batista de Souza afirma que praticamente todos os produtos no mercado subiram de preço. Sem contrariar a pesquisa, ele afirmou que os itens que mais pesaram no bolso foram o arroz e também produtos de higiene e limpeza. “Tudo ficou muito alto e infelizmente não tem para onde fugir. O consumidor sofre”.
O pedreiro Marcos Dias também apontou o arroz como um dos principais ‘vilões’ do ano nos mercados, lembrando também da carne bovina. “O jeito é andar bastante, pesquisar, para encontrar o item com o melhor preço. Só assim para tentar pagar um pouco menos. As promoções também são bem-vindas”, ressalta ele.
O economista Marcelo Vargas afirma que 2017 ainda é uma incógnita com relação à inflação. “Vemos o governo traçar um percentual de 4,8% para a inflação do próximo ano, um pouco acima da meta de 4,5%, mas é difícil acreditar. Ao mesmo tempo que vemos uma retração no consumo, o que pode levar à queda na inflação, vemos também uma tendência de alta, já que os índices há tempos ficam longe da meta, agravados pela crise política que se arrasta há muito tempo no país”, afirma.