Em nova assembleia realizada ontem em Curitiba, professores da rede estadual do Paraná decidiram suspender a paralisação iniciada há 15 dias. Cerca de 3 mil participaram do encontro, em que, desta vez, foi aprovada a orientação da APP-Sindicato. No último dia 22, os professores decidiram, por cinco votos de diferença pela continuidade da greve, contrariando posição do sindicato, que queria a retomada de negociações com o Estado. Com o fim da paralisação e a desocupação da maioria das escolas pelos estudantes, a expectativa é que as aulas retornem na integralidade a partir de hoje.
Os principais pontos da discussão para os professores são o reajuste da data-base e o pagamento de progressões e promoções. Na última quinta-feira, após um novo encontro entre professores e o governo, a Casa Civil divulgou a disposição de discutir a data-base e a implantação das promoções e progressões tendo como parâmetro R$ 1,4 bilhões, previstos na PLOA de 2017, dentro de um cronograma de negociação para a discussão de alternativas, antes da votação na Assembleia Legislativa. O reajuste do auxílio-transporte e a equiparação do salário dos funcionários ao piso regional também serão incluídos na pauta de discussão”.
Durante a assembleia, o presidente da APP, Hermes Leão, reforçou que a suspensão da greve não significa que o calendário de mobilizações se encerrou. “Queremos sim, debater as condições de trabalho e de aprendizado, junto com o governo, com estudantes e com toda a comunidade. Não aceitaremos a desvalorização dos servidores, de maneira alguma”, defende.
Na região do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana, a paralisação não chegou a afetar totalmente o funcionamento de nenhuma escola. Oito, segundo o NRE, mantinham paralisação parcial.
Até ontem à tarde, entretanto, quatro colégios do município ainda estavam ocupados por estudantes: Polivalente (Premen), Osmar Guaraci Freire, Padre José Canale e Professora Godoma Bevilacqua de Oliveira. Apesar da Justiça ter determinado a desocupação das escolas na noite de sexta-feira, os alunos só começaram a ser procurados pelos oficiais de justiça na tarde de ontem.
Outras duas escolas do NRE se mantinham ocupadas: a Érico Veríssimo, em Faxinal, e Julio Junqueira, em Arapongas. Em Arapongas também foi concedida liminar para desocupação das escolas.
“Nesses casos ainda não temos certeza se será possível retornar as aulas na terça”, comenta a chefe do NRE de Apucarana, Maria Onide Balan Sardinha.
REPOSIÇÃO
Ela destaca o calendário de reposição, tanto da greve quanto das ocupações já começou a ser discutido com expectativa de ser implementado já a partir do próximo sábado e no recesso que estava previsto para 14 de novembro, véspera de feriado nacional.
“Cada escola tem uma realidade diferente porque as ocupações não começaram e terminaram no mesmo dia. Já entramos em contato com os prefeitos para discutir a questão do transporte escolar e definir esse calendário”, comenta.
Movimento era mais forte na área do NRE de Ivaiporã
Na área do NRE de Ivaiporã, onde a paralisação dos professores obteve maior adesão, as aulas devem ser retomadas com normalidade hoje em oito escolas que estavam fechadas em razão da greve e em seis que mantinham funcionamento parcial.
O Colégio Cristóvão Colombo, de Ivaiporã, foi uma das escolas funcionou ontem pela manhã, com todos os professores retornando, mas em razão do desencontro das informações poucos alunos compareceram.
A professora Lucia Frizon, acredita que a partir de amanhã (hoje), as atividades voltem a funcionar normalmente. “Nessa semana, vamos nos dedicar exclusivamente as matérias que caem no Enem e tentar recuperar o tempo perdido”, assinala Lucia.
No Colégio Barbosa Ferraz, de Ivaiporã, um dos maiores da cidade, desde a desocupação na última quarta-feira (26), apenas três turmas do curso técnico de enfermagem tiveram aulas normalmente. Os demais professores do colégio estavam em greve.
Na região do NRE, sete escolas pertencentes as comarcas de São João do Ivaí, Grandes Rios e Cândido de Abreu, ainda continuavam ocupadas na manhã de ontem. Porém, ainda no período da manhã, alunos do Colégio Matos Leão, de São João do Ivaí decidiram encerrar a ocupação voluntariamente e, no período da tarde.
Provas no Polivalente correm risco de serem suspensas
Ontem, o Ministério da Educação afirmou que o prazo para os estudantes desocuparem os locais de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que acontece no sábado e domingo, não será prorrogado. Hoje, até o meio-dia, o Inep receberá um novo balanço da organização do exame com a situação dos locais de provas e consolidará a lista final dos locais em em que não serão aplicadas as provas em função das ocupações.
Na região, apenas um colégio que é local de prova do Enem se mantinha ocupado ontem, o Colégio Estadual Polivalente, em Apucarana.
Os estudantes receberam na tarde de ontem a intimação para desocupação do prédio. Wendel Brayan Lourenço da Silva, de 15 anos, é um dos organizadores da ocupação. “Agora que o oficial de Justiça entregou a reintegração de posse, vamos sair. Já estamos nos organizando para a desocupação pacífica do colégio. Vamos convocar o diretor do colégio para que ele, juntamente com os alunos, faça uma vistoria no local”, afirma.
“Um representante do Enem veio conversar com a gente. Acredito que a diferença de um dia não vai atrapalhar a organização da prova no colégio”, afirma Wendel.
Em Apucarana, serão oito locais de prova para o Enem e 5.535 inscritos. Além do Polivalente, o exame será aplicado na FAP, Facnopar, Unespar e nos colégios Nilo Cairo – desocupado no final de semana – Santos Dumont, Professor Isidoro Luiz Cerávolo e Antônio dos Três Reis Oliveira. Além dos estudantes da cidade, alunos de outros municípios fazem as provas em Apucarana.
Em Ivaiporã são cinco locais de prova com estudantes de seis municípios da região. Nenhum está ocupado por estudantes, de modo que a prova está garantida para os mais de 2,2 mil inscritos. (RENAN VALLIM E IVAN MALDONADO)