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Professores temem desigualdade com implantação do Novo Ensino Médio

DA REDAÇÃO

| Edição de 29 de dezembro de 2021 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A partir de 2022, escolas públicas e particulares iniciam a implementação do chamado ‘Novo Ensino Médio’, baseada na Lei n° 13.415/2017. As alterações acontecem na educação básica, chegando ao ensino profissionalizante, o que de acordo com o Ministério da Educação (MEC), deve elevar a qualidade de ensino no país, e preparar os estudantes para o mercado de trabalho. Em Apucarana, professores defendem que na prática, as mudanças devem distanciar ainda mais a preparação de alunos da rede privada e pública para as universidades.

Para o professor Tiago Nogueira, que leciona História e Sociologia na rede pública e também particular de Apucarana, a reforma no ensino médio é muito boa no papel, mas na prática, deve formar um gargalo ainda maior entre a preparação dos alunos da rede privada e pública para a universidade. “O que me chama atenção é que, no projeto, a mudança é para que o aluno tenha mais liberdade para se aprofundar nas matérias em que tenha mais afinidade, mas nem todas as matérias da grade serão oferecidas por todos os colégios. Então, ou o aluno se adapta ou vai para o curso técnico. No papel a mudança é boa, mas na prática, tenho dúvidas de como vai ser”, considerou.
Guilherme Bomba, professor de História da rede privada da cidade, acredita que em 2022 pouca coisa deve mudar na prática, mas que ao longo do tempo, a reforma deve acirrar ainda mais as desigualdades entre o ensino público e privado. “Para as escolas públicas tem muitas propostas, o que não sabemos é como isso será na prática, se temos estrutura para isso. Para as escolas particulares vão aumentar as atividades, o que torna os alunos ainda mais preparados. Enquanto não tivermos uma mudança de fato no sistema de ingresso às universidades, vai piorar a questão da desigualdade do acesso”, opinou o professor.
Professora da rede pública de ensino em Apucarana, Camilla Bolonhezi também acredita que mudança deve ampliar desigualdade. “Particularmente vejo que o maior problema é que essa base de itinerário formativo vai acabar ampliando a desigualdade, já que nem todas as escolas públicas vão ofertar as 4 opções, diferente das escolas privadas. Nesse sentido existe uma perspectiva grave de elitização do ensino”, defendeu a professora.