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Programas garantem lares temporários a 28 crianças

Renan Vallim

| Edição de 04 de março de 2018 | Atualizado em 03 de março de 2018

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De acordo com levantamento feito pela Tribuna, 28 crianças e adolescentes estão atualmente em lares temporários em Apucarana. Todas elas tiveram que sair de suas casas para fugir de uma realidade imprópria, que muitas vezes envolve abuso, violência e uso de entorpecentes por aqueles que deveriam ser seus principais protetores. Hoje, três programas acolhem e direcionam estes jovens. Um quarto projeto está sendo desenvolvido e deve entrar em funcionamento neste ano.

Imagem ilustrativa da imagem Programas garantem lares temporários a 28 crianças

Situações de risco para menores de idade são geralmente identificadas pelo Conselho Tutelar, mas as crianças são retiradas do convívio familiar apenas com decisão da Justiça. Em Apucarana existem duas entidades de acolhida. O Lar Sagrada Família, entidade filantrópica, recebe crianças entre zero e 12 anos. Acima desta idade, quem cuida é a Casa Lar, gerida pela Prefeitura.
A diretora de ação social do Lar Sagrada Família, Aída Assunção, explica o trabalho desenvolvido pela entidade, que hoje cuida de 12 crianças. “Há um grande fluxo de crianças entrando e saindo da entidade. Já tivemos menos crianças e também já estivemos perto de nossa capacidade máxima, de 20 crianças. Mesmo assim, buscamos sempre dar a maior atenção e carinho a todos eles, que infelizmente são vítimas de um ambiente impróprio”.
A entidade recebe ajuda da prefeitura, mas a maior parte dos custos é coberta através de doações. Atualmente, o espaço passa por uma reforma, toda custeada pela comunidade. “São crianças que precisam de amor e cuidado. Cada história nos toca profundamente. Mas sabemos que, por mais grave que seja o caso, pai e mãe são insubstituíveis. Por isso, nossa missão, na verdade, é tentar mostrar que o mundo é muito maior do que aquele sofrimento que eles passaram”, diz Aída.
Já na Casa Lar estão quatro adolescentes entre 13 e 18 anos incompletos. De acordo com a assistente social Roberta Lacerda Silva, da Secretaria Municipal da Assistência Social, lares temporários são encarados como medidas emergenciais. “É a última alternativa. Antes de chegar neste ponto, buscamos trabalhar a família. A ida a lares temporários só acontece quando este trabalho com a família não surte resultados e não há outros parentes que possam ficar com esse jovem”, afirma.
Mesmo com o afastamento do adolescente, a secretaria continua o trabalho com os pais. “Também trabalhamos junto ao adolescente, mas este trabalho só funciona se for integrado com outros órgãos. Fazemos encaminhamentos e buscamos dar orientações para esse jovem. Nossos principais parceiros são as escolas, colégios e o Centro da Juventude”, explica a assistente social.
Há ainda o programa Família Guardiã, também da prefeitura, desenvolvido quando outros parentes da criança já têm a guarda legal do jovem. “São famílias com renda inferior a seis salários mínimos, com menos de quatro dependentes e com emprego fixo, entre outras exigências. Elas recebem 75% de um salário mínimo e uma cesta básica, além do suporte de uma equipe técnica da secretaria”, diz Roberta. Atualmente, oito famílias estão cadastradas no programa, sendo que algumas possuem mais de um jovem. Ao todo são quatro crianças e oito adolescentes.
Em breve, a secretaria pretende implementar também o programa Família Acolhedora, que funcionará como o Família Guardiã, porém com pessoas sem vínculo familiar com o jovem. As famílias serão cadastradas, como afirma a secretária da pasta, Ana Paula Nazarko. “Ainda não implementamos o programa porque precisamos ser bastante criteriosos. Estamos fazendo avaliações para garantir que essas crianças fiquem em um ambiente saudável”, diz.

Acolhimentos sobem em 2017
O Conselho Tutelar de Apucarana realizou, em 2017, um total de 21 acolhimentos de menores de idade, encaminhando-os a lares temporários, sendo nove crianças e 12 adolescentes. O número foi maior do que no ano anterior, quando foram realizados 19 acolhimentos.
O conselheiro tutelar André Reis afirma que há casos dos mais variados tipos. “Existem até situações em que crianças que precisam sair de casa logo após o nascimento. Elas são retiradas do lar por vários motivos que violam o ambiente familiar e as deixam vulneráveis”.
Ele lembra ainda que, em grande parte das situações atendidas, o Conselho Tutelar encaminha antes o caso para os integrantes da rede local de proteção, da Secretaria Municipal da Assistência Social, para que seja realizado um trabalho com a família. “Se não houvesse esse trabalho de fortalecimento dos vínculos familiares esses números seriam bem maiores”, destaca ele.