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Programas incentivam retomada do café

Ivan Maldonado

| Edição de 28 de outubro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Um levantamento realizado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da regional de Ivaiporã mostra que 75% da área plantada com cafezais na região foram erradicadas. Em 1997, a região tinha área plantada de 15.065 hectares, em 2007 a área já tinha sido reduzida para 10.340 hectares. Porém, a redução foi maior nos últimos 10 anos com o avanço do plantio da soja. Atualmente apenas 3.328 ha. são dedicados ao plantio do café na região. Porém, em alguns, municípios como Grandes Rios e Ivaiporã, algumas medidas vêm sendo tomada para a revitalização da cafeicultura. 
De acordo com o engenheiro agrônomo do Deral, Sergio Carlos Empinotti, o processo teve início em 1975, com as geadas que atingiram de maneira desastrosa os pequenos e médios produtores. Na época, a região tinha aproximadamente 80 mil hectares de área plantada. “Na década de 90 o Governo do Estado com alguns programas de incentivo a cafeicultura e criação das Vilas Rurais conseguiu segurar o processo de erradicação. Porém a partir do ‘boom’ da soja em 2001 e 2002 a erradicação se agravou”. 

Imagem ilustrativa da imagem Programas incentivam retomada do café


Para Empinotti, apesar das dificuldades provocadas pelas geadas, da mão-de obra mais cara e falta de investimentos na cafeicultura, o café é ainda um ótimo negócio. “Mesmo, num cafezal sem muitos investimentos o produtor colhe 25 sacas por hectare. A grosso modo, significa aproximadamente R$ 30 mil por ano bruto. Para a manutenção o produtor gasta em torno de R$ 6 mil e ainda sobra R$ 24 mil, e dá para plantar mais alguma lavoura intercalada com o café para o sustento da família. Já na soja com dois alqueires, o produtor não planta e vai ter que arrendar. Caso arrende um alqueire vai receber no máximo 60 sacas, o que equivale hoje a R$ 3,2 mil por ano”, argumenta Empinotti. 
Atualmente metade dos cafezais produzidos na região se encontra no município de Grandes Rios. O município conta com área de 1,7 mil hectares de café e 41% da população está ligada diretamente a atividade cafeeira. “Deste de 2010, através da Emater, os produtores estão investindo em tecnologia e na renovação dos cafezais. Com isso, a cada ano vem aumentando a produtividade, e melhorando a qualidade do produto” assinala Empinotti. 
Na regional, além de Grandes Rios, a cultura de café também é encontrada em menor escala nos municípios de Ivaiporã, Jardim Alegre, Lidianópolis e Lunardelli.

MUDAS 
Em Ivaiporã, para estimular a cafeicultura foi criado um programa municipal que distribui gratuitamente mudas de café aos produtores que querem renovar o cafezal. O viveiro construído em 2012 no campus do IFPR com produção anual de 100 mil mudas, recentemente foi transferido para o distrito do Jacutinga, região maior produtora de café no município. O viveiro também foi ampliado e irá produzir 110 mil mudas por ano. A prefeitura constrói ainda uma segunda unidade na Vila Nova Porã, no antigo IBC, com capacidade de produção de mais 110 mil mudas. 
Segundo o secretário de agricultura de Ivaiporã, Adir Salla, só para atender os produtores que estão no setor, a demanda atual é de 500 mil mudas. “Por enquanto estamos fornecendo mudas para os produtores que são tradicionais. Naturalmente, em dois ou três anos já teremos atendido a demanda desse pessoal. Aí sim, poderemos atender também outros agricultores que queiram entrar no setor”. 
Para participar do programa, os cerca de 32 produtores recebem treinamento e acompanhamento técnico da Emater e de técnicos da prefeitura. Como forma de pagamento, os agricultores darão um dia de trabalho nos viveiros a cada mil mudas recebidas.

Assistência técnica e aposta em produtividade
O vice-presidente da Associação da Agricultura Familiar de Jacutinga, Celso Aparecido Gomes está otimista com a valorização do café na região. Ele relata que por falta de assistência técnica muitas pessoas deixaram de atuar no setor estão voltando a investir.
“A gente não tinha assistência. Chegava na roça abria o buraco deixava a muda ali e pronto. Nos últimos 25 anos, eu mesmo andei plantando mais de 100 mil mudas e não conseguia formar cafezal. Depois que a Emater formou um grupo (há três anos) aqui da associação e passou a dar assistência já estamos vendo a diferença”, comenta Celso.
Gomes destaca a evolução de  três mil pés de café replantando com tecnologia na propriedade dele, em área menor que um hectare. “Deu duas floradas ali que é de se entusiasmar. Pelo que vimos estou acreditando que em um alqueire com plantio dessas novas mudas e dentro da tecnologia certa, dá para colher por volta de 80 a 100 sacas. Para o pequeno, não tem outra coisa melhor que o café”, enfatiza Celso.
O agrônomo do Deral, Sérgio Carlos Empinotti, elogia as ações que estão sendo tomadas em Ivaiporã para a revitalização da cafeicultura. “Com os incentivos que o Município está dando aos produtores e a assistência da Emater, entendo que a cultura do café será revigorada em Ivaiporã. Quem sabe no futuro não voltaremos a figurar dentre os principais produtores de café do estado”, completa Empinotti.

Mudas mais resistentes
Valdecir Grassato, que tem uma propriedade na região de Jacutinga, é um dos produtores que está sendo beneficiado pelo programa da prefeitura de Ivaiporã. 
Ele relata que recentemente renovou metade dos dois alqueires da área de um cafezal que tinha mais de 30 anos. Ele destaca que pretende ampliar o cafezal para mais quatro alqueires em outra propriedade, na localidade de Santa Luzia,  que hoje é ocupada pelo plantio de soja.
“Na época arrancamos (o café) porque não estava compensando. A mão de obra era muito cara e quase não sobrava nada. Agora com meus filhos já maiores, que estão me ajudando vai ficar mais fácil tocar seis alqueires de café”. comente.
Ela destaca que a tecnologia também mudou. “Outra vantagem hoje é que as mudas que estão sendo plantadas são resistentes ao frio e ao nematoide, que também foi um dos motivos que arranquei o café”, assinala Grassato.