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Projeto preserva patrimônio genético

Ivan Maldonado

| Edição de 24 de novembro de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Um projeto de pesquisa de sementes crioulas do Instituto Federal do Paraná (IFPR), campus de Ivaiporã, está garantindo a manutenção do patrimônio genético de uma série de cultivares. Iniciado há seis anos com pouco mais de 10 variedades, hoje o banco de sementes crioulas da instituição tem 180 espécies. 

Imagem ilustrativa da imagem Projeto preserva patrimônio genético


Outra iniciativa do projeto são os guardiões de sementes, um grupo de cerca de 20 famílias de pequenos agricultores familiares, que se dedicam a multiplicar o patrimônio genético e manter os saberes tradicionais. 
Conforme a coordenadora do projeto, professora Ellen Rubia Diniz, o “Semente Crioulas” visa promover a conscientização e mostrar a real importância que tem para a agricultura familiar, resgatando e preservando não só sementes, mas também saberes e práticas agroecológicas buscando diminuir a dependência da agricultura em relação aos atuais pacotes tecnológicos. 
“O nosso objetivo é a independência e autonomia do agricultor. Ele decide o que quer plantar. Quando o agricultor não tem as sementes, ele fica refém do mercado, e só vai plantar aquilo que o mercado oferece. O agricultor também não fica refém dessas tecnologias relacionadas às transgenias”, relata Ellen.
Hoje, o laboratório do IFPR mantém um banco de sementes com mais de 180 espécies. “A maioria são de feijão e milho, mas temos também sementes de abóboras, hortaliças e de algumas árvores”, comenta. As sementes passam por análise de germinação, de transgenia, são catalogadas e depois armazenadas a vácuo. “Também realizamos alguns trabalhos que buscam melhorar o desempenho das sementes. Por exemplo, utilizando homeopatia, óleos essenciais e produtos naturais”, enfatiza Ellen. 
Outro trabalho importante desenvolvido pelo projeto é a divulgação das sementes crioulas nas escolas do campo na região de Ivaiporã. 
“Como isso se perdeu ao longo do tempo levamos essas informações para os nossos futuros agricultores e para os professores que trabalham com eles, e desconheciam também o que é semente crioula e o benefício dela”, comenta. 

Agricultores familiares multiplicam as sementes
Nos últimos anos, vem crescendo também o trabalho de um grupo de agricultores familiares ligados ao IFPR que se dedicam a manter essa tradição, os guardiões de sementes. A aluna Taciara Engel Machado do curso superior de tecnologia em agroecologia, cuja família tem uma de seis alqueires no assentamento Oito de Abril, em Jardim Alegre, faz parte do grupo.
A família cultiva sementes de milho, feijão, abóboras, pimentas, folhosas e diversas plantas alimentícias não convencionais (PANCs), dentre outras. “O trabalho que a gente faz é resgatar e plantar sementes. Todas as sementes que são produzidas aqui são destinadas a garantir a autossuficiência da propriedade”, relata Taciara. 
O pai Lauri Luiz Machado, conhecido como Garupa, conta que o plantio de sementes crioula já era uma tradição familiar. 
“Mas, aqui no assentamento nós aumentamos a variedade, já que fomos trocando sementes e mudas com gente que veio de todo lugar do país, do norte, do nordeste, do sul e até do Paraguai”, comenta. 
Para ilustrar, ele destaca o caso da taioba, um tubérculo que ele não conhecia antes de chegar ao assentamento. “Para nós que viemos de Foz do Iguaçu a taioba era venenosa. Ai veio morar perto de nós, uma família lá da região do Turvo que trouxe aquilo, fez uma horta e começaram a comer. A gente ficou meio assim, como não morreram resolvemos experimentar e hoje temos plantado aqui na propriedade”, relata. 
A mãe Elenice Engel Machado destaca também o apoio do IFPR e do conhecimento que tem sido agregado pela filha no curso de tecnologia da agroecologia. “A gente consegue interagir o aprendizado dela no IFPR com aquilo que a gente conhece e por em prática aqui na propriedade, o que tem ajudado bastante”. 
Os agricultores familiares que participam do projeto IFPR recebem as sementes gratuitamente, que são devolvidas em dobro após a colheita.