CIDADES

min de leitura - #

Quebra da safra de soja ameaça economia do Vale

Ivan Maldonado

| Edição de 04 de março de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

O avanço da colheita de soja no Vale do Ivaí tem causado apreensão entre os produtores rurais. O estrago causado pelas chuvas, que continuam adiando o trabalho das máquinas, está se mostrando maior que o previsto inicialmente. Nas primeiras áreas colhidas nesta semana durante o breve período de estiagem em algumas propriedades as perdas chegavam até 90% por conta da qualidade dos grãos. Hoje, a quebra da safra deve ser um dos principais assuntos da reunião da Amuvi em Novo Itacolomi. Os prefeitos vão decidir se decretam situação de emergência.

Imagem ilustrativa da imagem Quebra da safra de soja ameaça economia do Vale

Segundo informações da gerente regional da Cocari, de São Pedro do Ivaí, Marcia Regina Alvino Caetano, na segunda quinzena de fevereiro choveu 350 mm na região. Áreas que deveriam ser colhidas há mais dez dias sofreram com o excesso de umidade. “É uma situação atípica que aconteceu nesta colheita. Nós sabíamos que em 15 dias de chuva haveria alguns danos, mas não nessa proporção. Desde 1975 quando começamos a plantar soja comercial, não se tem notícia de algo parecido”, comenta Marcia Regina.

Marcia Regina explica que a situação é crítica e as perdas existem, mas ainda não é possível uma avaliação oficial. “Existem lavouras de todo o tipo e os casos deverão ser avaliados individualmente. Temos áreas onde os produtores perderam 10%, outras lavouras apresentam 92% de avariado e o produtor decidiu que não compensa passar a máquina”, relata Marcia Regina.

Segundo o secretário regional da Seab de Ivaiporã, Antônio Vila Real, a Secretaria de Estado vem acompanhando de perto a situação dos agricultores mas também não tem uma estimativa de perdas. Na primeira quinzena de fevereiro, a Seab já havia anunciado uma revisão da estimativa da safra de grãos por conta das perdas. Na região Norte do Estado, a safra está mais atrasada. “Inclusive, o secretário Norberto Ortigara negocia com as instituições financeiras para que o prazo do financiamento sejam prorrogados”, assinala Vila Real.

AMUVI

As medidas legais serão discutidas hoje, na reunião da Amuvi, que acontece em Novo Itacolomi, inclusive com a presença de representantes das instituições financeiras, cooperativas e dos sindicatos rurais. O pedido é para que os produtores tenham condições de uma prorrogação total ou parte de suas dívidas com as instituições financeiras.

Na região da Amocentro, que reúne os municípios da região central de estado, os prefeitos de Pitanga, Manoel Ribas, Nova Tebas, Santa Maria do Oeste, Candido de Abreu e Iretama estiveram reunidos na manhã de ontem e decidiram pela situação de emergência.

Prejuízos impactam em outros setores

De acordo com o economista do campus de Apucarana da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Marcelo Vargas, a safra de soja possui impacto na economia local. “Existe uma cadeia produtiva bem estruturada na região, que depende em certa medida da soja. São pessoas que são contratadas para colher, transportar, armazenar e beneficiar os grãos, que acabam sofrendo impacto com qualquer oscilação na safra”, diz.

Segundo ele, se confirmados os índices altos de perdas na lavoura, a situação fica preocupante.

“Quando a safra fica abaixo do esperado, o produtor não investe, tendo menos dinheiro girando na economia. Mas se as perdas são muito altas, o problema aumenta consideravelmente, porque não é apenas uma questão de novos investimentos. Nesse caso, o produtor acaba tendo dificuldades em pagar as contas e quitar financiamentos”, ressalta. (Renan Vallim)

Produtores aproveitam breves estiagens para colher

A preocupação com o clima é grande e as colheitadeiras permanecem na lavoura dia e noite para aproveitar o período de estiagem. É o caso da Fazenda Santa Alice, em Ivaiporã, que ainda tem muita área para colher. “Não dá para perder tempo por que a qualquer momento a chuva cai e o prejuízo pode aumentar”, comenta o proprietário Orlando Sanchez que tem 300 alqueires com o grão.

Ele relata que no início da colheita, antes da chuva, havia colhido 30 alqueires com rendimento de 180 sacas por alqueire. Nesta semana, quando a colheita reiniciou em uma área de 70 alqueires o rendimento caiu mais de 60%. “No primeiro dia de colheita após a chuva, o primeiro caminhão que colhi deu 90% de perda. Depois as coisas melhoraram um pouco mais mesmo assim ainda estamos no prejuízo”, comenta Sanchez.

Em Jardim Alegre, o produtor Paulo Bovo plantou 25 alqueires na localidade de Água do Colibri. Nesse período de chuva ele tinha 16 alqueires pronto para colher. Bovo relata que acionou o Proagro e aguarda a visita do perito.

“Enquanto o perito não analisar a área não posso colher. O Proagro cobre o custeio, mas tem os investimentos que também preciso pagar. É desanimador, mas fazer o quê”, completa Bovo.