O período de matrículas já começou na rede particular de ensino de Apucarana e Arapongas. O reajuste nas mensalidades para o ano letivo de 2017 chega a até 14%. O aumento varia entre 8% e 14%, e muitas escolas ainda não fecharam as planilhas. Os percentual fica acima da inflação oficial para o período, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Neste ano, o IPCA acumula taxa de 5,78% até outubro. Já o total acumulado nos últimos doze meses é de 7,87%. Além dos índices da inflação do ano e da expectativa para 2017, quando a inflação pode perder fôlego e fechar abaixo de 5%, segundo economistas -, o que tem preocupado os gestores das escolas particulares é a instabilidade econômica. A insegurança política e econômica, segundo os administradores, puxa o preço para cima, uma vez que o valor da mensalidade não pode ser reajustado durante o ano letivo. A expectativa dos estabelecimentos de ensino e do próprio Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe), de Londrina, é que, mesmo com a crise e o reajuste, o número de alunos permaneça o mesmo. O argumento é o cenário conturbado da educação pública, que passa por greves e mais recentemente ocupações.
O presidente do Sinepe, professor Alderi Luiz Ferraresi, afirma que o reajuste nas escolas particulares varia entre 12 a 14% na região. “Apesar que cada escola tem autonomia para fixar o preço da mensalidade de acordo com sua planilha de custos. É difícil também a escola fixar um preço agora, diante de cenário econômico e político instável, que deverá ser mantido até o final do ano letivo de 2017”, observa.
CRISE
Na avaliação de Ferraresi, a crise econômica tem afetado as escolas particulares, em especial, no ano passado. “Cerca de 6% dos alunos precisaram deixar as escolas particulares, mas, com a rede pública com greves e ocupações, percebemos que este público ensaia um retorno para 2017”, avalia.
De acordo com o presidente do Sinepe, o diferencial para os pais é o cumprimento rigoroso do cronograma escolar pelas escolas particulares. “Isso, com certeza, proporciona mais tranquilidade aos pais, que têm readequado o orçamento em alguns casos”, diz. E complementa: “Na hora do Enem e do vestibular, o resultado é determinante. Por isso, os pais têm feito esse investimento “, afirma.
Escolas apostam na manutenção dos alunos
O diretor de uma escola particular, de Apucarana, professor Paulo Pereira Epifânio, também avalia que o cenário conturbado na educação pública tem feito com que os pais mantenham os filhos nas escolas particulares. “É um investimento de médio e longo prazo. Para o próximo ano letivo, o reajuste deve ficar entre 8 a 11%”, observa.
Ainda de acordo ele, pais de alunos das escolas públicas têm procurado fazer essa migração para as particulares, com o intuito de garantir os dias letivos. “Hoje em dia, os pais pensam muito no futuro dos filhos e, por isso, investem em educação”, comenta.
A diretora de outra escola particular na cidade, irmã Dionísia Diadio, apesar de não ter o valor fechado ainda, acredita que o reajuste deve ficar entre 10 até 13%. “Vai depender da planilha de custos, dos investimentos e também da inflação. Entretanto, existe o fator negociação. Precisamos atender os pais, mas sem prejudicar o funcionamento da escola”, frisa.
O contador de outro estabelecimento de ensino da rede particular, de Apucarana, Osvaldo Plínio, também ainda não fechou o valor. “Estamos fechando a planilha de custos, mas provavelmente vai ficar na casa dos 10%”, diz.
Na avaliação de Cleverson Sartorelle, diretor de uma escola em Arapongas, o reajuste médio é de 12 a 14%. “O acréscimo é decorrente da planilha de custos e da inflação, o que dificulta inclusive a negociação com os pais”, justifica. Mesmo assim, ele acredita que o número de alunos vai manter-se estável. O motivo é justamente a segurança do cumprimento do calendário escolar.