CIDADES

min de leitura - #

Recusa em doação de órgãos é menor

CINDY SANTOS

| Edição de 27 de setembro de 2019 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

O índice de recusas familiares em entrevistas para doação de órgãos está menor na região. Conforme dados do Sistema Estadual de Transplantes do Paraná (SET-PR), de janeiro a agosto deste ano foram 40 notificações de possíveis doadores em Apucarana, Arapongas e Ivaiporã, com 7 recusas, ou seja, 10% dos parentes entrevistados nos três municípios não autorizaram o procedimento. No período foram realizadas 25 captações de múltiplos órgãos e 3 de córneas. Embora o ano ainda não tenha encerrado, o índice é bem menor que 2018, quando a recursa chegou a 29%.

No geral foram 56 notificações, 28 captações de múltiplos órgãos e 6 transplantes de córneas. A região segue a tendência estadual. Este ano o Paraná também registrou menor índice de recusas familiares, com 24% das famílias entrevistadas não autorizando a doação. Segundo a SET, além das recusas, existem outros fatores que impedem a doação de órgãos como contraindicações, como por exemplo pacientes soropositivos, ou morte por parada cardiorrespiratória. 
Em Apucarana, o Hospital da Providência - uma das unidades captadoras de doação de órgãos credenciadas da região - desenvolve várias ações relacionadas a campanha Setembro Verde, como palestras, blitz nos postos de internação e transmissões ao vivo sobre o tema nas redes sociais. 
“São abordados vários assuntos como a identificação do potencial doador, preenchimento de documento de identificação”, destaca a integrante da comissão de doação de órgãos e tecidos para transplante do Hospital da Providência, Josiane de Oliveira. 
Ela destaca que este ano o tema da campanha é: “Doação de órgãos. Fale sobre isso!”. A ação pretende mobilizar e conscientizar a população sobre a importância da questão. Atualmente, mais de 2.000 paranaenses aguardam por uma doação. 
“Relembrando que a doação e transplante de órgãos salvam vidas. Existem muitas pessoas na fila de espera aguardando receber um órgão para continuarem suas vidas com maior qualidade. Por isso é muito importante informar a família e deixar ciente sobre a intenção da doação. Pois é a família que vai decidir quando chegar o momento”, assinala.

PARANÁ
O Paraná encerrou o ano de 2018 em primeiro lugar no ranking de doações de órgãos no Brasil, com 47,7 doações por milhão de população (pmp). A média nacional foi de 17,7 pmp. Até o fechamento do primeiro semestre de 2019,  o Estado continuou liderando a lista de Estados que possuem maior número de doações, com 41,1 pmp. O Paraná também liderou o ranking de transplante de órgãos em 2017 e 2018, com 81,5 e 90,9 pmp respectivamente. 

Veja como se tornar um doador
Para ser um doador, avise a sua família. Seus órgãos só poderão ser doados com autorização dos seus parentes mais próximos. Qualquer pessoa pode doar órgãos, após a confirmação da morte e mediante autorização da família. Podem ser doados: Coração, rins, pâncreas, pulmões, fígado e também tecidos, como: córneas, pele, ossos, valvas cardíacas e tendões. Pacientes que foram diagnosticados em morte encefálica (ME), o que ocorre normalmente em decorrência de traumas/doenças neurológicas graves, podem ser doadores de órgãos e tecidos. 
Nos casos em que o falecimento decorre de parada cardiorrespiratória (PCR), podem ser doados tecidos. Qualquer pessoa saudável pode ser doadora em vida de um dos seus rins ou parte do fígado para um familiar próximo (até 4ª grau consanguíneo), porém quando a doação de um rim ou parte do fígado for para uma pessoa não aparentada é necessário autorização judicial. 
Os órgãos doados são destinados a pacientes que necessitam de transplante e estão aguardando em uma lista única de espera. Esta lista é fiscalizada pelo Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde e pelas Centrais Estaduais de Transplantes. A seleção de um paciente que aguarda por um transplante, ocorre com base na gravidade de sua doença, tempo de espera em lista, tipo sanguíneo, compatibilidade anatômica com o órgão doado e outras informações médicas importantes. Todo o processo de seleção dos potenciais receptores é seguro, justo e transparente