O material de construção comprado pelo Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) está empilhado desde o final do ano passado do lado da Cadeia Pública de Ivaiporã, a mão de obra já foi contratada, mas a reforma da unidade – bancada com dinheiro da Prefeitura, Câmara e comunidade - ainda não saiu do papel. Para dar início às obras, é preciso aguardar a remoção de pelo menos 50 dos 146 detentos.
Na semana passada, a administração da 54ª Delegacia Regional de Polícia (DRP) recebeu a promessa da Vara de Execução Penal (VEP) de Londrina, que aceitou receber alguns presos. “Fizemos um contato junto VEP através do Depen e recebemos o compromisso de que pelo menos 20 presos seriam transferidos temporariamente até a execução das obras”, explica o delegado Gustavo Dante. O expediente da justiça da comarca solicitando a transferência dos detentos foi encaminhado anteontem à VEP de Londrina.
Embora o número de remoção não seja a ideal, o delegado garante que tão logo aconteçam as transferências, a obras serão iniciadas. “Já temos acerto com algumas delegacias e, durante as obras, vamos transferir provisoriamente mais 30 presos para as cadeias da região”, explica Dante. Ainda segundo o delegado, a previsão de conclusão das reformas é de, no máximo, 20 dias.
A Cadeia de Ivaiporã tem 10 celas, porém com o excesso de presos e depois de duas rebeliões, as portas das grades e solários foram arrancadas e não há mais qualquer divisão interna. “Com as transferências teremos maior espaço. Será então possível recolocar algumas portas dividindo as alas. Enquanto os serviços estiverem sendo executados em uma ala, os internos ficarão em outra”, explica Dante.
A carceragem abriga 146 internos em espaço com capacidade para 32. Desse total, segundo a polícia, pelo menos 70 são presos condenados. Somente no ano passado ocorreram três fugas por tuneis que foram escavados a partir do piso do solário. Houve ainda diversas tentativas de fugas e pelo menos dois princípios de rebeliões.
Por conta da precariedade do prédio, o Conseg assumiu a obra. Segundo o presidente da entidade, Jair Antônio Burato será feita troca do piso da carceragem por concreto usinado reforçado com chapas de aço galvanizado, pinturas das paredes, melhorias da instalação elétrica e hidráulica a um custo de R$ 35 mil.
Segundo ele, a Cadeia de Ivaiporã foi construída em 1976 apresenta falta de ventilação, mofo, sujeira, fiações elétricas expostas e falta de espaço. A ideia é melhorar a segurança, e também humanizar o tratamento dos internos. “Fizemos nossa parte, e espero que o compromisso assumido da VEP de Londrina não fique só na promessa. A situação da carceragem é crítica e tememos uma nova rebelião que pode colocar em risco a vida da população, dos agentes e até dos próprios presos, como aconteceu recentemente no Amazonas e em Roraima”, destaca Burato.