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Região tem saldo de empresas ‘no azul’, mas pandemia liga ‘sinal amarelo’

Renan Vallim

| Edição de 19 de junho de 2020 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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De janeiro a maio deste ano, o saldo de criação de empresas na região ficou positivo, com a criação de 28 empreendimentos a mais do que o número de empresas extintas. A quantia ficou bem abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando o saldo ficou em 298. De acordo com especialistas, a redução foi gerada pela pandemia, mas não reflete exatamente a realidade, que pode ser ainda pior do que dizem os números.
Os dados foram divulgados pela Junta Comercial do Estado do Paraná (Jucepar) e compreendem as agências regionais de Apucarana, Arapongas, Ivaiporã e Faxinal. Segundo o relatório, de janeiro a maio de 2020, a região registrou a criação de 502 novas empresas e o fechamento de 474, resultando no saldo positivo de 28. No mesmo período de 2019, o saldo de 298 foi obtido através de 830 empresas criadas e 532 extintas.
O maior saldo em 2020 pertence a Arapongas: 40 (235 empresas criadas, 195 fechadas). Apucarana aparece com 8 (111 criadas, 103 fechadas). Em Jandaia do Sul, o saldo foi de 1 (91 criadas, 90 fechadas). Apenas Ivaiporã teve saldo negativo, com -21 (65 empresas criadas, 86 fechadas).
De acordo com o economista Rogério Ribeiro, do campus de Apucarana da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), os números, apesar de ruins, não refletem necessariamente a realidade. “Primeiro porque estes números compreendem apenas aquelas empresas que tiveram o cuidado de se formalizarem. Segundo porque sabemos que muitas empresas fecham as portas, mas demoram para ‘dar baixa’ na empresa”.
Ele acredita que, por isso, os próximos meses trarão números bastante negativos. “O nível de movimentação econômica caiu vertiginosamente por conta da pandemia. Quando houve o fechamento do comércio e posterior reabertura, muitos empreendimentos nem chegaram a reabrir. Esta baixa movimentação econômica deve continuar, o que será observado nos números dos próximos meses”.
Segundo Rogério, a atividade econômica deve cair em média 6%, podendo chegar a até 11% de acordo com previsões mais pessimistas. “O mundo pós-pandemia será muito diferente. A economia vai se recuperar, mas vai ser um processo lento. O próprio distanciamento social acaba enfraquecendo a economia. Quem não tinha sistema de delivery ou e-commerce passou a ter. Outros viram que é viável trabalhar de casa. Tudo isso corta custos. Por isso, a atividade econômica baixa deve continuar e mais empresas vão fechar”.