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Registros de violência doméstica têm alta de 7,4% em Apucarana, aponta PM

Renan Vallim

| Edição de 08 de março de 2018 | Atualizado em 07 de março de 2018

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A Polícia Militar (PM) de Apucarana atende uma média de 10 mulheres vítimas de violência doméstica por semana. Ao longo de 2017, foram registrados 495 ocorrência desta natureza, um número 7,4% maior do que no ano anterior. Violência ainda é, de acordo com especialistas, um dos principais desafios enfrentados pelas mulheres diariamente.

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Em 2016, foram 461 casos registrados. De acordo com a PM de Apucarana, a violência contra a mulher está entre os três crimes mais cometidos na cidade. A delegada Luana Lopes, responsável pela Delegacia da Mulher de Apucarana, afirma que a violência doméstica sempre existiu. “Acredito que, com o avanço dos direitos das mulheres, as vítimas não estão mais aceitando este tipo de situação. Por isso, as denúncias têm crescido”, diz.
Segundo ela, o crime é um comportamento cultural. “O machismo sempre foi muito forte em nossa sociedade. Romper com o patriarcado leva tempo. Mas vejo que a sociedade está evoluindo, com maior autonomia da mulher e também mais conscientização do homem. As escolas têm discutido o problema, as famílias têm conversado. Acredito que este é o caminho. As perspectivas para as próximas gerações são boas”, destaca.
No final do ano passado, toda a tropa do 10º BPM passou pelas instruções do projeto ‘Polícia Militar na Proteção da Mulher’. A ação capacitou os policiais para atuarem em conjunto com a rede de proteção, expandindo tanto o trabalho preventivo quanto o de atendimento à vítima de violência.
De acordo com o capitão Vilson Laurentino da Silva, da PM apucaranense, estas são geralmente ocorrências complexas. “São situações delicadas, envolvendo mulheres lesionadas, filhos, pais e outros familiares. Verificamos se a mulher precisa do apoio da PM, através da orientação e diálogo e, posteriormente, encaminhamos ao CAM. Isso é necessário para auxiliar a mulher a romper esse ciclo de violência, o que nem sempre é fácil”, aponta.
O Centro de Atendimento à Mulher (CAM) é um órgão vinculado à Secretaria Municipal da Mulher que presta atendimento a vítimas de violência através de uma equipe multidisciplinar. “O CAM é um local onde a mulher é amparada, seja socialmente, psicologicamente ou juridicamente. A intenção é fortalecer a mulher vítima de violência, auxiliando esta mulher para que encontre um caminho que a liberte do ciclo de violência”, afirma Denise Canesin Machado, secretária da Mulher.
Segundo ela, a violência ainda é um dos principais desafios enfrentados diariamente pelas mulheres. “Infelizmente, muitas mulheres sofrem constantemente com a violação de seus direitos. A Lei Maria da Penha nos proporcionou muitos avanços, mas ainda é importante e necessário trabalharmos a prevenção, através da sensibilização dos homens agressores”, destaca.
O CAM funciona no Jardim América, região norte da cidade, na Rua Castro Alves, 1629. O órgão tem uma linha gratuita para orientações, através do número 0800 645 4479.

Município aguarda verba 
Previsto inicialmente para fevereiro, o ‘botão do pânico’ ainda não tem data para entrar em uso. Isto porque a Secretaria da Mulher de Apucarana aguarda o envio de recursos pelo Governo Estadual. “Este projeto tem a maior parte dos recursos provenientes do Estado, com uma contrapartida do município, tanto financeira quanto de pessoal. O Estado ainda precisa disponibilizar uma empresa para fazer o treinamento da equipe que irá atuar junto às mulheres”, afirma Denise Canesin Machado, responsável pela pasta.
O dispositivo será distribuído entre vítimas de violência doméstica que tem medida protetiva em vigor. Ao ser acionado, o aparelho envia um alerta de socorro para a central de monitoramento junto com a localização da vítima. Atualmente, na Comarca de Apucarana, que integra também os municípios de Cambira e Novo Itacolomi, existem 92 medidas protetivas ativas.
O novo equipamento irá mudar a maneira como vítimas informam a polícia sobre o descumprimento de medidas protetivas. Atualmente, é necessário que a vítima consiga contato via telefone com a Polícia Militar informando a ocorrência, o que muitas vezes não acontece imediatamente.