O Minipresídio de Apucarana passou ontem por uma vistoria. Batizada popularmente de “operação bate grade”, a inspeção feita por agentes carcerários, do Departamento Penitenciário (Depen), com o apoio de policiais civis e militares, localizou no interior das celas oito celulares e várias barras de ferros. Até o final da tarde de ontem, autoridades não confirmaram A quantidade exata de objetos ilícitos apreendidos no interior da unidade. Apesar de ser classificada como de rotina pelo Depen, agentes das instituições de segurança reconhecem que a revista tem por objetivo identificar qualquer possibilidade de fuga ou rebelião.
A preocupação das autoridades está estritamente ligada com o caos instalado nas penitenciárias de vários estados brasileiros por organizações criminosas, que tem ordenado ataques a presos ditos de facções contrárias. Ontem, uma fuga em massa de 152 presos foi registrada em Bauru, no interior paulista.
“Foi uma revista de praxe. Os presos estavam tranquilos, mas precisamos de apoio para entrar no Minipresídio, que tem atualmente 284 presos. No interior da unidade, verificamos as celas na tentativa de encontrar objetos proibidos e também de indícios de fugas”, revela o chefe regional de Administração de Cadeias Públicas, de Londrina, Adilson Barbosa de Souza.
Barbosa reconhece, que apesar da situação de tranquilidade, o momento exige atenção redobrada. “O sistema penitenciário sempre exige cuidado, mas, neste momento de caos penitenciário, a atenção deve ser maior”, avalia. O Minipresídio tem capacidade para 120 presos.
O delegado-chefe da 17ª Subdivisão Policial (SDP), José Aparecido Jacovós, que acompanhou a revista, também comenta que o momento é delicado. “A operação ocorre em detrimento da situação prisional e com o intuito de evitar armas no interior da carceragem”, diz.
Jacovós chama a atenção para a quantidade de presos alojados na unidade. “Não podemos mais chamar de minipresídio, mas de presídio diante do número de presos. Também não podemos negar com essa população carcerária que há presos ligados a organizações criminosas”, ressalta.
Sobre a situação do minipresídio, Barbosa reconhece que, assim como nas cadeias públicas, o acesso é mais vulnerável, diferente de uma penitenciária. Em outubro passado, a Defensoria Pública constatou que cerca de 70% dos internos já haviam sido condenados e cumpriam pena no local.
A operação contou com cerca de dez policiais civis e vinte policiais militares. (VANUZA BORGES)