Com mais de 90% da área colhida, a safra de soja deste ano deve movimentar mais de R$ 1,5 bilhão nas regionais da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) de Apucarana e Ivaiporã. O valor representa uma redução de 16,6% em relação à colheita anterior, quando a produção movimentou R$ 1,8 bilhão. A estimativa é do Departamento de Economia Rural (Deral). A queda é reflexo da menor produtividade do grão neste ano e também por conta da redução dos preços praticados no mercado agrícola.
Os 35 municípios pertencentes as duas regionais - 22 da Seab de Ivaiporã e 13 de Apucarana - devem colher 1,41 milhão de toneladas da oleaginosa neste ano. A produção caiu em relação à safra passada, quando foram colhidos 1,45 milhão de toneladas.
Na Seab de Ivaiporã, a produção de soja deve render aos sojicultores R$ 1,088 bilhão. A cifra é resultado da produção de 303 mil hectares da safra 2018/2019, que já teve 95% da área colhida. A estimativa do Deral para a região é que sejam colhidas aproximadamente 16 milhões de sacas de 60 quilos, o que corresponde a 1,015 milhão de toneladas.
A produtividade média da regional atingiu nesta safra 3.471 quilos por hectare, ou seja, menor que a temporada passada (3.497 quilos/ha). Na safra anterior, os produtores da regional plantaram o grão em 292,5 mil hectares e colheram 1,023 milhão de toneladas, o que corresponde a 17 milhões de sacas, movimentando nos municípios da regional R$ 1,326 bilhão.
Conforme o engenheiro agrônomo Sergio Carlos Empinotti, do Deral, a produtividade não foi maior que a temporada passada por conta de duas estiagens – dezembro e janeiro. “Em cerca de 10% da área onde foi antecipado o plantio para semear o milho a planta sofreu com a estiagem. O pessoal que colheu neste período teve como resultado uma colheita média 80 sacas por alqueire, mas, depois disso, as colheitas tiveram rendimento melhor e em algumas áreas teve produtor que chegou a colher 190 sacas”, conta.
Ainda conforme o agrônomo, cerca de 50% do grão colhido já foi comercializado em média a R$ 68 a saca. No ano passado, nesta mesma época, a soja era comercializada em média por R$ 78.
Quebra foi menor que em outras regiões do Estado
Dos 124 mil hectares plantados na área da Seab de Apucarana – a mesma área da safra anterior-, 114 mil já foram colhidos, o que representa 92% do total.
Segundo o economista Paulo Sérgio Franzini, economista do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab de Apucarana, a produtividade caiu nesta safra. A média colhida pelos produtores rurais da região é de 3,2 mil quilos por hectare contra 3,5 mil kg em 2018 anterior e 3,7 mil kg em 2017.
“Houve uma seca em novembro e dezembro, afetando o desenvolvimento da planta, e também em janeiro, quando foi registrado um calor intenso. Agora na safra, o excesso de chuvas influenciou o rendimento da soja em alguns municípios”, afirma.
Se a média for mantida, a Núcleo Regional da Seab de Apucarana deve fechar a safra com uma produção de 397 mil toneladas, 6% a menos que em 2018 (- 37 mil toneladas). Com a cotação da saca a R$ 69, o impacto financeiro é de R$ 456 milhões. O valor é menor à safra passada, quando a produção foi de 434 mil toneladas. Com a média da saca a R$ 72 no ano passado, o valor girou em torno de R$ 518 milhões, uma redução de 12%.
“Trabalhamos com a margem de produtividade de 3,3 mil kg a 3,7 mil kg por hectare nesta safra. Devemos fechar em 3,2 mil kg, abaixo do intervalo inferior. Mesmo assim, a safra pode ser considerada razoável. Em outras regiões do Paraná, como Maringá, os prejuízos foram muitos maiores”, assinala Franzini.