O engenheiro agrônomo Nelson Harger, coordenador estadual do Projeto Grãos do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-Pr), alerta os produtores rurais que a próxima safra de verão no Paraná e em especial na região será de alto risco. Isto em função de até lá o fenômeno El Niño, que favorece as chuvas, já ter ido embora, prevalecendo o La Niña, que resulta em períodos secos.
De acordo com o instituto Somar de Meteorologia, a partir deste segundo semestre o Brasil vai sentir os efeitos do fenômeno climático La Niña, que resultará em chuvas acima da média nas regiões Norte e Nordeste do Brasil e seca na região Sul, caso do Paraná. La Niña significa “a menina” em espanhol e é um fenômeno climático natural que consiste na alteração cíclica das temperaturas médias do Oceano Pacifico, resultando na modificação do clima em várias partes do mundo.
O La Niña tem duração de nove a doze meses e não ocorre todos os anos da mesma forma.
Segundo o agrônomo Nelson Harger, que também é estudioso das condições climáticas, durante a safra de verão a ocorrência de chuvas deverá ser abaixo da média e elas serão mal distribuídas. Além disso, conforme assinala, também há possibilidade de veranicos especialmente no período que vai de novembro até final de janeiro, quando as lavouras de soja e milho estarão no auge do seu desenvolvimento. Por isso, conforme assinala, é preciso que os agricultores planejem bem o plantio da safra de verão, com apoio da assistência técnica, para não ter dor de cabeça no futuro.
“É certeza que vamos ter escassez de água no próximo verão, por isso será uma safra de alto risco”, repete Harger, que já tratou deste assunto durante a 23ª Expotécnica, realizada recentemente em Sabáudia.
Para Harger, o que há de positivo é que os produtores rurais terão menos problemas com doenças comuns na safra de verão em função do clima seco.
O coordenador do Projeto Grãos da Emater observa ainda que haverá frios tardios com possibilidade de geadas no Paraná até o mês de setembro. Este fenômeno, no entanto, deverá ocorrer com maior intensidade na região Sul do Estado.