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Safra recorde de soja promete aquecer economia regional

Renan Vallim

| Edição de 16 de fevereiro de 2017 | Atualizado em 16 de fevereiro de 2017

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A alta produtividade da safra de soja esperada para este início de ano deve bater recorde no Paraná. A colheita, que pode ultrapassar pela primeira vez a marca dos 19 milhões de toneladas no estado, é encarada com muita expectativa não apenas por produtores, mas também por outros segmentos da economia, que veem a possibilidade de vendas e negócios aquecerem por conta da boa safra.

Imagem ilustrativa da imagem Safra recorde de soja promete aquecer economia regional

De acordo com a expectativa do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a 1ª safra de soja 2016/17 deve render até 19,1 milhões de toneladas, uma média de 3,6 toneladas por hectare. No entanto, essa estimativa foi feita antes do início da colheita. Atualmente, o Paraná está com pouco mais de 15% da área já colhida, e em alguns pontos a produtividade está superando as expectativas.
Apesar da possibilidade de mais de 19 milhões de toneladas, a Seab trabalha com uma margem de segurança e estima a colheita em 18,3 milhões de toneladas, um acréscimo de 11% em relação ao ciclo 2015/16. Depois de um início de plantio com certa preocupação, devido ao clima mais frio e seco e também à previsão do fenômeno La Niña as condições de clima se normalizaram e as lavouras estão em condições consideradas boas em cerca de 97% da área plantada.
Na área do Núcleo Regional de Apucarana, composta por 13 municípios, a expectativa de colheita aponta para mais de 430 mil toneladas do grão, com produtividade média de 3,6 toneladas por hectare. A colheita ainda está no início e, segundo estimativa do último dia 14, apenas 3% da área havia sido colhida.
O apucaranense Matheus Bovo é engenheiro agrônomo e ajuda a manter a lavoura da família, com área de aproximadamente 700 hectares. “Já colhemos aproximadamente 50% da área. O clima ajudou, a chuva parou na hora certa para iniciar a colheita e a produtividade será ótima”, destaca.
Na área do Núcleo Regional de Ivaiporã, composta por 23 municípios, a expectativa é colher até 960 mil toneladas, com produtividade um pouco mais baixa do que em Apucarana: 3,3 toneladas por hectare. Na estimativa do último dia 14, cerca de 15% da área já havia sido colhida.
De acordo com o gerente regional da Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Geraldo Maroneze, as previsões para a lavoura são muito boas. “O clima ajudou muito nesta safra e com certeza teremos uma produção bem maior do que a do ano passado. Acreditamos que a safra recorde irá acontecer”, afirma. Segundo ele, além da boa produtividade, a rentabilidade do produtor deve ser mantida. Ontem a saca de soja era cotada a R$ 65 em Apucarana.

Economista destaca efeito dominó positivo
A safra de soja está elevando as expectativas do comércio, que pode ser diretamente impactado pelos bons resultados no campo. De acordo com o presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Apucarana (Acia), Junior Serea, os empresários estão animados. “Nossa economia depende muito da agricultura. Se ela vai bem, os impactos são sentidos também nos outros setores econômicos”, diz.
Segundo ele, é animador para o setor empresarial uma boa safra. “No ano passado, tivemos safras baixas, o que dificultou ainda mais a situação da economia. Acreditamos que aproximadamente 30% dos negócios realizados na nossa região tem relação com a área agrícola”.
Proprietário de uma rede de concessionárias na região, Armando Boscardim acredita em um aumento de até 30% nas vendas, caso a boa produtividade da lavoura se confirme. “A agricultura impacta demais na economia local. Por isso, estamos todos atentos e com uma expectativa alta. Caso as previsões se confirmem, será excelente para a economia”, destaca.
O economista do campus de Apucarana da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Marcelo Vargas, explica que a economia pode sofrer um ‘efeito dominó’, com os bons resultados da agricultura impactando em outros setores. No entanto, ele faz um alerta. “Somos um país agrícola. Ter uma boa safra é sempre positivo. No entanto, uma grande produtividade coloca um volume grande do produto no mercado, fazendo com que o preço caia e os produtores percam dinheiro. Mas, com o mercado internacional em um bom momento, essas perdas no mercado interno podem ser revertidas com o aumento das exportações”, destaca.