O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Apucarana, que atende ainda Arapongas, Jandaia do Sul e Faxinal, recebeu 1.393 trotes telefônicos no decorrer de 2015. Nos dois primeiros meses de 2016, os atendentes já receberam 158 ligações do gênero. A situação preocupa, pois muitas vezes acarreta em deslocamento de ambulâncias para atendimento de ocorrência inexistente, além de manter o telefone ocupado por minutos preciosos, impedindo que uma situação real seja informada. A ocorrência do trote, porém, é considerada crime e o infrator pode receber pena de detenção de um a seis meses, além de multa, que no Paraná é de R$ 179,22.
As chamadas ao Samu 192, na maioria dos casos, não tem o objetivo de informar sobre uma ocorrência. Os autores do trote – homens, mulheres e adolescentes – ofendem os atendentes com palavrões e outras deprimentes manifestações. Nestas situações, o telefone é desligado, mas não raro nova ligação é efetivada na sequência, com a continuidade das ofensas. Há, ainda, a falsa informação de ocorrência, mas nesse caso o médico regulador é acionado e ao questionar sobre a situação da vítima se descobre ser um trote.
Mas, algumas vezes, a pessoa que executa o trote presta todas as informações ao médico regulador. Este, por sua vez, mesmo suspeitando ser um trote, encaminha ambulância para o local indicado, quando se verifica não ter ocorrido qualquer fato que necessitasse da interferência da equipe de socorristas. “Na dúvida, tem que mandar a equipe, pois não se pode deixar de prestar socorro”, explica um dos atendentes do Samu Apucarana. No ano passado, 7.262 atendimentos foram realizados pelo Samu apenas em Apucarana.