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Saques de carga são organizados por Whatsapp e rádio na Serra do Cadeado

Claudemir hauptmann

| Edição de 10 de maio de 2022 | Atualizado em 10 de maio de 2022
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A prisão de pessoas que estiveram envolvidas com a carga de cigarros saqueada durante acidente em que morreu um caminhoneiro na Serra do Cadeado, entre Mauá da Serra e Ortigueira, na manhã de anteontem, colocou a Polícia Civil no encalço de um grupo criminoso que se especializou na pilhagem de cargas. O problema é crônico na região e, segundo a polícia, são várias facções atuando com um grande nível de organização.

Três prisões em flagrante anteontem, sendo duas pessoas detidas pela Polícia Militar de Mauá da Serra e outra pela Polícia Civil de Ortigueira, pelas equipes comandadas pelo sargento Francis Lourenço Gomes e pelo delegado André Luis Garcia, respectivamente, reforçaram as suspeitas.

Os grupos se comunicam muito rapidamente para realizar as pilhagens. É comum chegarem aos locais de acidentes antes mesmo que as equipes de socorro e não raramente esses grupos fazem ameaças aos caminhoneiros e ajudantes.

Os saqueadores usam aplicativos de mensagem, onde conseguem trocar informações sobre acidentes e a ação das polícias. Os grupos foram identificados através de aparelhos celular apreendidos com os criminosos presos.

O delegado de Ortigueira, André Luis Garcia informou que duas pessoas foram encaminhadas na noite de anteontem para a delegacia, uma delas sendo presa em flagrante pelo furto de parte da carga do caminhão de cigarros. O delegado informou que a pilhagem ensejou uma operação policial, que permitiu a identificação de pelo menos mais cinco integrantes do grupo.

Segundo ele, os saqueadores, embora bastante organizados, não são de um único grupo criminoso. Segundo o delegado, são dezenas de pessoas, que residem na zona rural e em bairros de Mauá da Serra e, principalmente, de Ortigueira. “Esses grupos agem sistematicamente. São organizados e agem de forma muito rápida. Eles têm veículos leves e até caminhões para fazer os saques”, diz o delegado Garcia.

Além dos grupos de mensagens pelo celular, os criminosos também usam rádios comunicadores, que ficam permanentemente em sintonia com as frequências usadas pelos bombeiros, Samu, Siate e polícia, para saber sobre os acidentes na região, especialmente na área da serra. “Por incrível que pareça, eles fazem só isso. São pessoas que vivem disso. Ficam à espreita aguardando os acidentes, que são frequentes na serra”, comenta.

Segundo o  delegado os saqueadores têm capacidade operacional e técnica para saquear qualquer tipo de carga, inclusive as de grãos, como soja e milho. “Eles sabem o que fazer e tem um método muito rápido de agir”, comenta.

Grupos são capazes de levar qualquer tipo de produto

O sargento PM de Mauá da Serra, Francis Lourenço Gomes esteve à frente da equipe que fez a prisão de um casal que estava com 10 caixas de cigarros levadas do acidente de anteontem – uma mulher de 32 anos e um homem, de 24 anos.

No destacamento da PM de Mauá da Serra há quatro anos, o sargento Francis já viu dezenas de casos similares. “No meu primeiro mês aqui no destacamento, em 2018, teve o caso de um outro casal preso com parte da carga de porcelana roubada de um caminhão que se acidentou na região. A carga valia mais de R$ 350 mil”, recorda.

O sargento relata inúmeras prisões, envolvendo roubo e receptação de cargas diversas, de carne congelada até ração canina, leite e mesmo cargas a granel, como milho, soja e até farelo. Segundo ele, um dos presos contou até o nome do grupo de whatsapp que eles usam: “Tombadas da Serra”.