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Saúde e cidadania para a comunidade LGBTI

Vanuza Borges

| Edição de 07 de janeiro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O apucaranense Bernardo Lucas Ribeiro, 20 anos, inspirado em sua própria trajetória de vida, foi o principal idealizador do Comitê de Saúde Integral para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros e Intersexo (LGBTI). A iniciativa, que conta com parceria da Autarquia Municipal de Saúde (AMS) de Apucarana é pioneira na região para atuar na garantia de acesso aos serviços de saúde, além de oferecer apoio, acolhimento e orientação, inclusive judicial. Outra bandeira do comitê é a despatologização das identidades trans.
O estudante de Letras, do campus da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), começou a dar forma ao comitê em abril de 2016 em conjunto com o Departamento de Saúde Mental, da Autarquia Municipal de Apucarana. Entre as conquistas obtidas neste período, Bernardo destaca o direito de usar o nome social em algumas unidades básicas de saúde (UBS), que já passaram por capacitação, e no Hospital da Providência, maior hospital da região. “O Comitê LGBTI foi pensado como meio de garantir direitos, e não de reivindicar novos”, afirma.
Bernardo, que foi o primeiro estudante da Unespar a garantir o uso do nome social na instituição de ensino em março de 2016, explica que o Ministério da Saúde (MS) disponibiliza diversas cartilhas para o público LGBT, porém o material é desconhecido por parte dos profissionais da área. “A ideia é quebrar o estigma associado ao público LGBTI a doenças sexualmente transmissíveis (DST’s). A prevenção deve ser abordada porque somos pessoas e, como qualquer pessoa, estamos vulneráveis”, ressalta.
O estudante observa que o Comitê LGBTI, em parceria com os profissionais da saúde que fazem parte da iniciativa, trabalham para romper barreiras dentro do próprio sistema de saúde. “É comum o profissional associar gay, lésbica ou transexual às doenças sexualmente transmissíveis”, pontua. Como exemplo, ele cita o caso de uma transexual que procurou o serviço com gengivite. “Assim que o médico percebeu que era uma mulher transexual passou a tratá-la como profissional do sexo, o que é algo totalmente preconceituoso”, diz.
O comitê realiza uma reunião por mês. Os encontros acontecem na Autarquia Municipal de Saúde e também no Polo da Universidade Aberta do Brasil (UAB). “Nós procuramos discutir as políticas de atendimento ao público LGBTI, garantir que essas pessoas sejam atendidas pelo sistema de saúde e também acolhê-las”, diz.
Quando o assunto é atendimento, Bernardo cita desde situações corriqueiras como acesso a acompanhamento psicológico e tratamento hormonal, se for o caso. “O intuito do comitê é também proporcionar acolhimento a esse público”, sublinha.]

Grupo de apoio está previsto para 2017
A enfermeira Jackeline Lourenço Aristides, do Programa Saúde Mental da AMS, integra o comitê e avalia que já houve alguns progressos, como o uso do nome social em algumas unidades de saúde e também no Hospital da Providência.
“O comitê veio para atender uma demanda reprimida. Atendemos pessoas que passam por grande sofrimento por causa da opção sexual ou da identidade de gênero e o comitê vem para levantar esses dados e garantir um suporte maior à saúde desses pacientes”, diz.
Jackeline comenta que uma das frentes do comitê é quebrar o preconceito dentro do próprio sistema se saúde. “Temos que pensar que o profissional de saúde não recebeu nenhuma formação para trabalhar com o público LGBTI e, por isso, precisamos pensar em capacitação”, ressalta.
Com este intuito, a enfermeira revela que neste ano estão previstas palestras com servidores, para discutir o assunto e pensar em ações. “Também estamos estudando a possibilidade de constituir um grupo de apoio, para amenizar e orientar as pessoas que estão passando por essa fase de descobrimento”, adianta.
Na avaliação de Jackeline, o primeiro ano foi basicamente voltado para a divulgação do comitê, já 2017 prevê ações mais concretas.