A 16ª Regional de Saúde de Apucarana declarou guerra contra o Aedes Aegypti. Velho conhecido da população, o mosquito vetor da dengue, febre amarela e febre chikungunya, também transmite o zika vírus, apontado como o causador do surto de casos de microcefalia no Nordeste. O alerta chega junto com o aumento da presença do inseto. Dos 17 municípios da região, cinco estão com índices acima de 3,9%, com alto risco de surto. Ontem, a Secretaria de Estado de Saúde confirmou o primeiro caso autóctone de febre chikungunya, em um morador de Mandaguari, o que reforça o alerta.
Levantamento de Índice Rápido do Aedes (Lira) referente ao 6º ciclo de 2015 aponta risco de infestação do mosquito, com vários redutos de larvas, em cinco municípios da região: Borrazópolis (5.82%), Califórnia (4.45%), Grandes Rios (9.04%), Kaloré (7.23%) e Rio Bom (5.22%). As maiores cidades da região, Apucarana (1.7%) e Arapongas (1.3%), apresentaram índices menores do que os demais municípios, mas ainda assim são números preocupantes, uma vez que a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza que o índice de infestação não seja superior a 1%.
De acordo com a chefe da 16ª RS, Clara Ilza Lemes de Oliveira, de janeiro até o início de dezembro 1.981 casos de dengue foram confirmados na área da regional que compreende 17 municípios, sendo 1.723 autóctones e 258 importados. Apenas uma morte em decorrência da doença foi registrada. No novo período epidemiológico - iniciado em agosto deste ano, com término em agosto de 2016 - foram registrados 12 casos até o momento.
“É preciso mais do que nunca acabar com o mosquito, eliminando criadouros. Também peço apoio dos prefeitos e secretários para que que as equipes de agentes que atuam no combate não saiam de férias e continuem trabalhando para impedir a proliferação”, reforça.
O supervisor de endemias da 16ª RS, Valdecir Castanho, ressalta a importância da colaboração da população neste período considerado crítico por conta do excesso de chuva e de calor que aceleram o ciclo de reprodução do mosquito.
“Os órgãos públicos estão fazendo sua parte, mas todos precisam ajudar no combate aos focos do mosquito. Como já tivemos epidemia na região e com a chegada do zika vírus a tendência é piorar”, alerta.
CHIKUNGUNYA
Desde o início do ano, apenas dois pacientes tiveram diagnóstico comprovado de zika, mas os casos são importados quando a infecção ocorre em outro estado. Quanto à febre chikungunya, a Secretaria Estadual da Saúde confirmou ontem a ocorrência do primeiro caso autóctone da doença no Paraná. O paciente, morador de Mandaguari, e se infectou no Paraná.Desde o ano passado, 18 casos importados de chikungunya já haviam sido confirmados no Estado.
Apucarana realiza ação de conscientização hoje
Hoje a o Paraná promove mobilização contra o mosquito e a 16ª acompanha ações em toda a região. Em Apucarana, Vigilância Sanitária juntamente com Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Exército promovem evento na Praça Rui Barbosa, a partir das 9 h30 com panfletagem.
“Tenho percebido que a população está colaborando mais porque hoje o Aedes é transmissor da dengue, chikungunya e zika, que está em evidência. Tenho notado que em termos de denúncias de possíveis focos de mosquito a população está bem mais engajada. Mas, em função do novo vírus que está causando mais apreensão estamos reforçando as ações”, frisa o superintendente de Vigilância Sanitária,Aguinaldo Aparecido Ribeiro.
O último Lira de Apucarana acusou índice de 1.7% de infestação e os bairros onde foram localizados vários focos foram: Cristo Rei, Jardim São Pedro e Vila Formosa. Seis pessoas foram diagnosticadas com dengue, desde o início do novo ciclo epidemiológico, sendo três autóctones e 3 importados.
“Quero que a população saiba da importância de todos se empenharem no combate do mosquito. Só a equipe da saúde não dá conta. A população tem que colaborar”, conclui.