O início do período de plantio de culturas como milho e soja está colocando a Secretaria Municipal de Agricultura em alerta. Isso porque os agrotóxicos utilizados nesta época do cultivo podem afetar o desenvolvimento dos pomares do programa Terra Forte, criado pelo município. Por isso, cartazes em postos de venda dos produtos químicos alertam os produtores sobre o uso correto dos herbicidas.
O secretário de Agricultura de Apucarana, José Luiz Porto, afirma que o objetivo principal da campanha é o uso racional dos defensivos agrícolas, principalmente a formulação 2.4-D, que pode ser levado pelo vento e afetar pomares e hortas. “É importante que os produtores respeitem todas as diretrizes e orientações, como a utilização do equipamento certo, condições climáticas e horários corretos, a realização das barreiras verdes, entre outras questões. Se tudo é feito da maneira certa, o impacto na natureza é mínimo e não há prejuízo nas propriedades vizinhas”, diz.
A meta da campanha é proteger o programa Terra Forte. O programa começou há cerca de três anos com o fornecimento de mudas de árvores frutíferas, além de insumos e assistência técnica há cerca de 80 pequenos produtores. “Iniciamos o projeto logo depois de uma geada intensa aqui na nossa região, com o objetivo de diversificar a produção e dar qualidade de vida ao produtor. Com melhores condições de vida, conseguimos promover a sucessão rural, mantendo o produtor no campo e oferecendo possibilidades para os jovens também ficarem”, diz o secretário.
São 10 tipos diferentes de frutas, com pomares de pelo menos 200 árvores. Em 2014, o programa foi estendido a outros 40 produtores de culturas diversas, que receberam insumos. Os 120 produtores cadastrados no programa pagam o subsídio da prefeitura através da produção, que é utilizada na merenda escolar das escolas municipais. Cerca de quatro toneladas de frutas já foram entregues pelos produtores e outras três toneladas de culturas diversas, como mandioca e milho. A secretaria estima que os produtores podem quitar o subsídio em duas colheitas.
“Nossa preocupação é porque a grande produção de árvores frutíferas vem justamente agora, após três anos de plantio. Como nosso objetivo é transformar a região em referência estadual no cultivo de árvores frutíferas, é crucial o apoio de todos os produtores, no sentido de utilizarem os defensivos agrícolas da maneira correta”, destaca José Luiz.
Um dos produtores que espera se beneficiar com o programa Terra Forte neste ano é Amauri Hernandes. Ele possui uma propriedade de dois alqueires com 175 goiabeiras e 400 figueiras. “Desde que surgiu o programa, me interessei. Participei logo na primeira reunião e agora, depois de três anos, espero uma grande produção. Por enquanto, a produção deu apenas para consumo próprio, pouca coisa foi enviada às escolas. Mas até o final do ano, a expectativa é colher um grande volume”, diz.
Ele afirma que a diversificação da produção é uma das grandes vantagens do programa. “Como tenho uma propriedade pequena, é muito importante ter a produção diversificada porque, caso haja problemas com uma das culturas, o prejuízo não é tão grande e as outras acabam ajudando”.