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Sem patrocínio, futsal feminino pode ficar de fora da Série Ouro

Silvia Vilarinho

| Edição de 01 de dezembro de 2022 | Atualizado em 01 de dezembro de 2022
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pode ficar de fora da Série Ouro

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As meninas do futsal de Apucarana, que em 2022 correram muito a ponto de conquistar o título de campeãs da Série Prata do Futsal Paranaense, ainda não puderam parar para comemorar e descansar. Agora, elas estão tendo que correr pela sobrevivência da equipe, que precisa arranjar patrocínio para poder usufruir do direito à vaga na Série Ouro. Sem ajuda, a equipe não terá como disputar o torneio.

O pedido de ajuda foi feito ontem em entrevista coletiva que a Associação Feminina de Futsal de Apucarana (AFFA) realizou ontem na sede da Associação Comercial e Industrial de Apucarana (Acia). Institucionalmente, a Acia dá apoio e tenta abrir portas e sensibilizar o empresariado local. 

A AFFA tem até janeiro para confirmar participação na Série Ouro, mas antes precisa de patrocínio de pelo menos R$ 25 mil mensais para bancar o custeio mínimo da competição. Diego Fávaro, presidente da AFFA, afirma que são 10 meses de jogos.

A taça da Série Prata foi conquistada literalmente na raça. Sem salários ou comissão técnica, as jogadoras acabavam ajudando mensalmente a equipe, fazendo rateios e promoções para que o time conseguisse superar as finanças, sempre no vermelho. 

Fávaro afirmou que para disputar a Série Ouro, a associação precisa reforçar o elenco e precisa trabalhar com uma comissão técnica completa, com preparador físico e treinador de goleiras. “Na série Prata, tudo isso foi feito pela mesma pessoa, que foi nosso técnico”, diz.

A associação também pretende viabilizar o patrocínio de pelo menos R$ 25 mil mensais para poder semiprofissionalizar as jogadoras, que não recebem nada para defender a camisa do Apucarana. A ideia é dar uma ajuda de custo mensal de R$ 500 para as atletas da base e fixar salários no teto de R$ 1 mil para tentar contratar reforços necessários. 

“Nossa ideia é manter o nível de competitividade na Série Ouro, onde temos equipes que disputam a liga nacional. Mas isso depende de conseguirmos sensibilizar o empresariado local. Sem essa ajuda, não poderemos confirmar a vaga que conquistamos ao vencer a Prata”, comenta.

Além de custear alimentação e outros gastos do bolso, algumas atletas ainda tiveram salários descontados nas empresas em que trabalham, quando precisaram faltar por conta da participação dos jogos. “Temos que pensar na logística para facilitar a vida delas. Elas estão escrevendo a história do futsal feminino de Apucarana, mas não vivem disso, não recebem nada por isso”, explica. (SILVIA VILARINHO)

Jogadora conta que equipe dormiu no ônibus por falta de recursos para hotel

A atleta Ana Guedes, que joga como ala, lembra que nas finais da Série Prata, quatro jogadoras do time titular não puderam participar porque não conseguiram a dispensa no trabalho. “E elas precisam do trabalho para sobreviver”, explica.

“A gente espera um 2023 melhor. Queremos competir em alto nível”, afirma. A jogadora, no entanto, diz que, caso o time não consiga o patrocínio e não possa disputar a Série Ouro, “isso não será vergonha nenhuma para nós”, destacando que a equipe trouxe resultados, apesar de todos os “perrengues” enfrentados em 2022. 

“Só a gente sabe da realidade, das dificuldades que passamos. Nesse ano dormimos em ônibus por não ter hotel, nem lugar para descansar”, reforça.

“É triste vivenciar essa situação. É nosso sonho. São mais de dez anos lutando para conseguir esse espaço para o futsal feminino e agora que conseguimos, é muito triste estarmos nessa situação. Muitas vezes tivemos que tirar do bolso para participar. E tudo que queremos é um futuro melhor para as meninas que também tenham o sonho de praticar o esporte possam viver isso sem passar pelo que nós estamos passando”, discursa a atleta. Ana Guedes deixou a coletiva mais cedo, antes mesmo de acabar. Ela precisava ir para o trabalho.