O julgamento do caso Jéssica Carline Aninas será retomado na manhã de hoje no Fórum da Comarca de Apucarana. O júri foi interrompido na noite de ontem após serem ouvidas 15 testemunhas arroladas pelos advogados de defesa dos três réus, Bruno José da Costa, 29 anos, Bruno Cezar Albino, 23 e Célia Forte, 50, e pela promotoria. Os réus também seriam interrogados na noite de ontem. Até o fechamento desta edição, entretanto, ainda não havia começado a oitiva de Célia Forte.
Os trabalhos devem ser retomados hoje com os debates entre defesas e Ministério Público. Somente esta fase leva em torno de nove horas. O plenário do Tribunal do Júri, diante da repercussão do caso, esteve lotado durante todo o dia de ontem. Em diversos momentos, o juiz presidente Oswaldo Soares Neto teve que intervir e pedir silêncio ao público.
O caso chama a atenção pelo triângulo amoroso entre Bruno Costa, marido da vítima, com a sogra. Durante o interrogatório de três horas, Bruno Costa basicamente confirmou o depoimento prestado à Justiça (ver box), confessando o crime e acusando Célia, a ex-amante, como coautora. Depois de Bruno Costa, Bruno Albino, apontado como o responsável de eliminar as provas do crime e levar o carro do local, seria interrogado. Somente na sequência, Célia Forte seria chamada para falar sobre o caso.
Na avaliação, do advogado de defesa da ré Célia Forte, José Teodoro Alves, o interrogatório seria a oportunidade dela mostrar para a sociedade o que realmente aconteceu, dissociando o relacionamento amoroso do crime. Sobre o recesso, o advogado acredita que o juiz agiu de forma correta. “É muito cansativo para os jurados. Ao falar de madrugada para os jurados, que já estão cansados, de repente podem deixar de apreciar alguma prova, o que seria prejudicial ao julgamento”, avalia.
O advogado de Bruno Costa, Heitor Possani, reforçou que Bruno expôs toda a verdade, como tem feito desde o início. “Acredito que, ao final, a verdade será realmente exposta. A defesa também vai trabalhar na redução da pena, principalmente na questão das qualificadoras”, diz.
Como ocorreu ontem, a segurança do Fórum será reforçada e a Rua em frente ao Fórum, a Travessa João Gurgel de Macedo será fechada durante todo o período do júri. A entrada do público será novamente por ordem de chegada. Após o encerramento das oitivas, os jurados - que ficam incomunicáveis - passaram a noite em um hotel.
Marido defende inocência de Célia
Entre as testemunhas ouvidas ontem, o depoimento mais esperado era de Hamilton Ananias, marido de Célia e pai de Jéssica. Hamilton, que foi arrolado como testemunha de defesa da mulher, afirmou, durante a oitiva, que perdoou a traição da esposa e que acredita em sua inocência. Para ele, Célia não ajudou a planejar a morte de Jéssica. Ele ainda afirmou que a mulher é uma pessoa “tímida e não indiferente ou fria como foi descrita”. Segundo Ananias, Bruno Costa teria interesse em terrenos que Célia herdou do pai. Ainda conforme Hamilton, Bruno teria se aproveitado de um momento frágil por qual a Célia estaria passando. Na época, segundo ele, ela estava com depressão e cuidava da mãe doente. Ele ainda afirmou que a esposa teria tentado romper o relacionamento com o genro, mas não conseguiu por causa das ameaças de Bruno.
Ananias disse que soube do caso entre o genro e a esposa no velório da filha e que nunca havia desconfiado de nada porque tinha um bom relacionamento com Célia. Hamilton ainda abraçou a esposa após o fim da oitiva.
Bruno mantém versão do crime
Bem mais magro, Bruno José da Costa, de 29 anos, manteve a versão dada à Justiça, que matou a esposa Jéssica Carline Ananias, na época com 21 anos, a facadas, após ser instigado pela sogra, Célia Forte, de 50 anos, com quem tinha um relacionamento extraconjungal há quatro anos. Durante três horas de interrogatório, Bruno detalhou os passos do crime e confessou que agiu por amor à sogra. O interrogado só perdeu o tom tranquilo na fala ao ser questionado pelo advogado de Célia Forte, José Teodoro Alves.
Bruno confessou, mais uma vez, que matou à esposa, após planejar os detalhes com a amante. O planejamento teria começado três meses antes em um motel. Bruno, que já chegou a ser estagiário no Fórum e chegou a participar de júris, disse que confiava no plano, um latrocínio, e acredita que, após a morte de Jéssica, iria embora para Rondônia, onde tem parentes, com Célia. Ele disse ainda que não pensou na filha, na época com seis anos, mas que se arrepende do crime. “Quero dizer que me arrependo muito do que fiz e que a única inocente era a Jéssica”, disse.
Julgamento é acompanhado por grande público
Pouco antes das 6 horas da manhã de ontem, a fila para acompanhar o julgamento de Bruna José da Costa, Célia Forte e Bruno César Albino já estava formada. O julgamento começou às 7h30 e todos os 150 lugares do plenário do Fórum da Comarca de Apucarana foram ocupados, de modo que muitas pessoas acompanharam o processo de pé.
Segundo sargento da PM, Heleno Antônio, da Silva, responsável pela segurança do local, foram mobilizados cerca de 10 integrantes da Polícia Militar e Guarda Municipal para fechar o trânsito nas ruas em volta do Fórum e fazer a segurança externa. Ele explica que o reforço na segurança está relacionado ao fluxo de pessoas e não em relação aos réus. “Temos que ficar atentos ao fluxo de pessoas e em que entra no plenário”, ressalta.
Entre as pessoas que aguardavam na fila, estava a mãe do réu Bruno César Albino, a empregada doméstica Ivone Albino Isabel, 47. Ela esperava para entrar no plenário sem sabe que as famílias dos julgados têm prioridade.
“Espero que meu filho seja absolvido. Ele é um menino trabalhador e nunca mexeu com nada errado. Ele não soube se explicar e acabou entrando nessa história”, acredita. Ivone estava acompanhada da filha Janaina, 17, que defendeu o irmão. “Ele é o filho mais velho e depois que ele foi preso tudo piorou lá em casa”, acrescenta.
Um pouco à frente estava a recém-formada em Direito, Nayara Caroline de Souza Cardoso, 24 anos. “Como acabei de concluir o curso, quis vir aqui acompanhar esse julgamento polêmico, ouvir os réus e ver como é a atuação dos juristas e advogados”, explicou. A estudante de Direito, Luana Machado Néri, 24, está no primeiro semestre do curso também foi acompanhar de perto o julgamento. “Vim ver como funciona e também como a sociedade atua neste caso polêmico. Penso que posso trabalhar na área criminal futuramente”, comentou. (FERNANDA NEME)