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Sequência de temporais castiga região e prefeituras contabilizam prejuízos

Claudemir hauptmann

| Edição de 31 de outubro de 2022 | Atualizado em 31 de outubro de 2022
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A segunda-feira foi de muito trabalho em diversos municípios da região afetados por temporais registrados nos últimos dias. Na noite de ontem,  seis localidades estavam sem abastecimento de água e em seis a energia elétrica não tinha sido restabelecida. Ventos fortes seguidos de grande volume de chuva registrados na tarde de sábado e madrugada ontem derrubaram postes, árvores e destelharam casas, além de causar alagamentos na região.

Em Ivaiporã, o município enfrentou durante todo o dia problemas de abastecimento de energia elétrica e está com mais de 3 mil pessoas isoladas na área urbana por conta de alagamentos provocados pelo rio Pindaúva, que destruiu pelo menos nove bueiros e pontes. Até a tarde de ontem, 121 famílias tinham recebido lona para cobrir os telhados. Em Ivaiporã, eram 3 pontos críticos de alagamentos: Jardim Iporã, Rua Emílio Ganzert e Abrigo de Animais Toca de Assis, onde os animais foram resgatados às pressas por um bombeiro e moradores da região. 

O prefeito Luiz Carlos Gil (PSD) deve decretar hoje estado de emergência no município. Ele informa que a cidade já estava em estado de emergência no sistema da Defesa Civil desde o vendaval, que fez estragos em toda a cidade, no sábado (30).

Na manhã desta de ontem, o prefeito esteve reunido com secretários municipais, Defesa Civil, representantes da Copel e Sanepar para traçar as estratégias de atendimento às populações urbana e rural. “A situação está bastante complicada por aqui”, resumiu o prefeito. “Só nas últimas quatro ou cinco horas, registramos mais de 140mm de chuvas na cidade”, disse, no final da manhã de ontem.

A estação de tratamento de água da Sanepar, na cidade, ficou debaixo d’água por causa da enchente no Pindaúva. Na área urbana, informou o prefeito, pelo menos 3 mil pessoas estão isoladas com a enchente. A Copel estava com 36 equipes atuando em Ivaiporã para restabelecer os serviços. Ontem duas escolas dispensaram os alunos por conta de estarem com telhados danificados e por sem energia elétrica. “Infelizmente, estamos com gente sem energia elétrica na Zona Rural desde sábado porque as equipes não conseguiram trabalhar em razão das enchentes”, comenta.

Segundo Gil, pelo menos cinco famílias foram desalojadas e abrigadas no Centro da Melhor Idade e há previsão que outras famílias tenham que ser retiradas por conta das enchentes. Centro da Melhor Idade estava sendo usado para abrigar essas famílias. 

Na tarde de ontem, o município ainda tinha 837 domicílios sem luz.

RIO BOM

Em Rio Bom, o prefeito Moisés José de Andrade disse que também há possibilidade de decretar estado de emergência. “Ainda estamos fazendo os levantamentos e contabilizando para ver se vamos precisar tomar essa medida”, disse. Várias estradas rurais foram interditas por causa das cheias dos rios, com dezenas de alagamentos e algumas casas atingidas.

No sábado (29), a cidade também foi atingida pelo vendaval, com o registro de alguns destelhamentos na cidade. Uma fábrica de jeans foi um dos locais destelhados. “Estamos correndo atrás para socorrer quem precisa de ajuda. Mas as chuvas atrapalham até um levantamento mais preciso da situação”, disse. 

Alagamentos e fortes chuvas em várias regiões 

As fortes chuvas foram registradas em todo Vale do Ivaí. Em Godoy Moreira, o prefeito Primis de Oliveira informou que o clima é de alerta na cidade, desde o vendaval de sábado e com as chuvas fortes dos últimos dias. “Estamos com falta de água em vários pontos da cidade por conta da queda de postes de energia elétrica. As equipes estão trabalhando para os reparos necessários”, informou. A cidade também contabiliza danos com destelhamentos, inclusive do prédio da prefeitura, e prejuízos na zona rural, com várias estufas danificadas. “Alguns pontos das estradas rurais foram alagados, mas já no domingo conseguimos desobstruir os principais acessos”, disse o prefeito.

Em Marilândia do Sul, houve registro de queda de árvores sobre postes da Copel, prejudicando o abastecimento de energia elétrica. Foram registrados também destelhamentos de residências e a enxurrada invadiu a Igreja Matriz Nossa Senhora das Dores. A represa do Managó, na entrada da cidade, transbordou. A Prefeitura precisou abrir uma das comportas para que o nível da água voltasse ao normal

Segundo o prefeito Aquiles Takeda (PSD), pelo menos 12 casas foram destelhadas e várias árvores. “As equipes estão trabalhando desde o final de semana, principalmente fazendo a limpeza urbana, com a retirada de galhos e do lodo trazido pela enxurrada”, afirma o prefeito. 

Municípios ainda sofrem falta de energia elétrica e água 

Pelo menos seis cidades do Vale do Ivaí ainda estavam parcialmente sem energia elétrica ontem. Segundo balanço da Copel divulgado na tarde de ontem, a região é a de maior volume de ocorrências no estado. São 1,6 mil chamados e 147 postes quebrados. Em Rio Branco do Ivaí, Rosário do Ivaí e Godoy Moreira equipes trabalhavam na recomposição das fontes principais, ainda com muitos estragos nas redes urbanas a serem sanados. Em Arapuã e Mauá da Serra, já foi possível religar boa parte dos consumidores que ficaram sem luz. 

Sem energia ou por conta dos alagamentos e turbidez da água, 14 municípios enfrentaram problemas de abastecimento de água. No final da tarde de ontem, segundo a Sanepar, seis localidades do Vale tinham a produção de água paralisada: Rosário do Ivaí e seus distritos Vila União e Campineiro do Sul, Lunardelli, além dos distritos Dinizópolis,em Cruzmaltina, e Alto Porã, em Ivaiporã. 

Na região sul de Apucarana, o abastecimento foi normalizado durante a tarde. Jandaia do Sul, cuja turbidez do rio Marumbizinho havia paralisado o tratamento, voltou a ser abastecida durante a tarde. Jandaia e São João do Ivaí estavam com os níveis dos reservatórios em recuperação, com previsão de normalização durante a noite de ontem.

Para madrugada de ontem, era prevista normalização de Grande Rios, Jardim Alegre, Lidianópolis, Mauá da Serra e Novo Itacolomi.

Ventos de 72 km/h em Apucarana

Em Apucarana, o temporal atingiu ventos de 72 km por hora na madrugada de domingo. Equipes da Prefeitura foram acionadas no final de semana para atender situações de quedas de árvores e de destelhamentos. 

O prefeito Junior da Femac afirma que a Prefeitura atuou no atendimento das ocorrências, através da Guarda Civil Municipal (GCM) e das secretarias municipais de Serviços Públicos e de Meio Ambiente. “As nossas equipes continuam de prontidão, pois existe previsão de chuvas ainda para hoje e terça-feira”, reforça Junior da Femac, solicitando para que as pessoas acionem a Defesa Civil através do 153.

Houve a queda de árvores na Praça do Redondo, no Jardim Paraná, no Jardim Interlagos, na Rua Osório Ribas de Paula e também no Parque da Raposa

De acordo com Reinaldo de Andrade, comandante da GCM, ocorreram casos de destelhamento de casas em diversas regiões da cidade, como no Jardim Ponta Grossa e no Jardim Interlagos. “Estamos trabalhando no atendimento das ocorrências, fornecendo lonas para as famílias”, afirma, citando ainda que foram registradas avarias também no telhado do Centro Municipal de Educação Infantil Sonhos de Esperança, localizado no Parque Bela Vista.