Em um cenário de crise econômica, a avicultura paranaense mantém um crescimento constante. A área coberta pela unidade regional de Apucarana da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) é uma das principais do estado, com mais de 14,3 milhões de aves em 770 aviários. O destaque fica por conta de Apucarana, que aumentou em 70,7% o número de plantel desde 2015. Recentemente, o estado do Paraná bateu recorde de exportações de frango.
De acordo com a Adapar local, são mais de 4 milhões de aves alojadas em Apucarana. O número é 70,7% maior do que em 2015, quando o Instituto de Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) apontava a existência de 2,3 milhões de aves no município.
De acordo com o mesmo cruzamento de dados, Marilândia do Sul e Rio Bom também se destacam, apresentando crescimento de 112% e 132%, respectivamente. Marilândia do Sul passou de 466 mil aves para 1 milhão, enquanto que Rio Bom foi de 157,8 mil para 367,2 mil.
“Apesar da crise, a avicultura tem crescido muito em todo o estado, e na nossa região não é diferente. Temos aviários novos sendo construídos em bom ritmo, com novos produtores entrando no setor e, os que já estão nele, planejando construir mais aviários”, destaca a supervisora regional da Adapar de Apucarana, Alessandra Trevisan.
Segundo ela, o frango de corte é uma produção intensiva, ou seja, é criado em pouca área, mas oferece alto retorno. Pequenos produtores se beneficiam disso para diversificar a produção. “Na nossa região, temos várias empresas do setor, o que incentiva o produtor. A avicultura pode ser desenvolvida em propriedades menores. O grande empecilho ainda é o custo inicial”, diz.
Como as empresas exigem técnicas modernas para o acondicionamento das aves, o custo para a montagem de um aviário parte de R$ 600 mil. Em contrapartida, a mão-de-obra é pouco exigida.
PARANÁ
Maior produtor e exportador de frango do País, o Paraná segue ampliando os embarques. A receita de exportações bateu novo recorde, com aumento de 8,8% de janeiro a julho de 2017 na comparação com o mesmo período do ano passado. Passou de US$ 1,28 bilhão para US$ 1,39 bilhão no período, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. O Estado respondeu, sozinho, por 35,2% dos embarques de frango do País.
O Paraná exporta para 160 países e os cortes de frango in natura respondem por 96% do total. De janeiro a julho, o maior mercado foi a Arábia Saudita, com US$ 288,14 milhões, seguida pela China (US$ 174,2 milhões) e Japão (US$ 131, 9 milhões).
Segundo levantamento do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), no semestre foram abatidas 888,9 milhões de cabeças de frango no Paraná, volume ligeiramente inferior (0,5%) aos 893,8 milhões registrados nos primeiros seis meses de 2016.
Empresa impulsiona produção
Na região de Ivaiporã, há dois anos a avicultura de corte era praticamente inexistente, com pequenos aviários e poucos criadores. No entanto, com a notícia da futura instalação de um abatedouro e uma indústria de ração do grupo Jaguafrangos na cidade, os investimentos na área começaram a prosperar.
O médico veterinário José Tramontina Junior, técnico de produção da integradora, lembra que quando Jaguafrangos iniciou o projeto na região eram apenas 17 produtores. “Hoje, estamos com 30 galpões em funcionamento, mais 32 com projetos em andamento ou em construção, e ainda um condomínio que vai construir em breve mais 8 galpões”. Atualmente, os 30 aviários produzem em média 900 mil aves. Com a entrada em funcionamento dos outros 40 galpões, a expectativa é que produção chegue a mais de 2 milhões de aves.
Ainda segundo Junior, para o início da construção, é preciso que haja pelo menos 70 aviários em funcionamento. “A capacidade do abatedouro será de mais de 80 mil aves”, comenta.
O secretário municipal de agricultura de Ivaiporã, Adir Salla, acredita que com o início das obras do complexo avícola a atenção na avicultura será redobrada. Ele também coordena em Ivaiporã o primeiro condomínio avícola de corte do Vale do Ivaí. O projeto é uma iniciativa inédita, que está sendo implementada por seis empreendedores, e consiste no alojamento de aves com cotas de participação. O condomínio será em uma propriedade de 3,5 alqueires na localidade de Pindauvinha e terá oito aviários.