Um dos três supermercados que iriam abrir na Sexta-Feira Santa (14) em Apucarana voltou atrás. Através de uma nota oficial, o Super Muffato informou que não irá funcionar na data em questão. O funcionamento dos estabelecimentos causou polêmica na cidade. Esta é a primeira vez que mercados trabalham neste feriado religioso.
A decisão de três supermercados em Apucarana em abrir as portas na Sexta-Feira Santa Foi divulgada na semana passada. A medida gerou críticas da Igreja Católica, que inclusive pediu aos fiéis que boicotassem os estabelecimentos na data mencionada.
Na tarde de ontem, o prefeito de Apucarana, Beto Preto (PSD), se reuniu com representantes dos supermercados para discutir a questão. A reunião foi feita a portas fechadas. Logo em seguida, o Super Muffato encaminhou à Tribuna uma nota oficial dizendo que, mesmo tendo o direito de funcionar, “decidiu atender ao pedido do Prefeito de Apucarana, Beto Preto, e dos representantes da Igreja Católica, para não abrir as portas. Portanto, em respeito à cidade e à fé católica, a loja estará fechada neste feriado do dia 14 de abril”.
A reportagem também entrou em contato com as assessorias de imprensa dos supermercados Condor e Cidade Canção mas, até o final desta edição, elas não haviam enviado posicionamento oficial. De acordo com funcionários das unidades de Apucarana, eles ainda irão abrir na data.
Os funcionários trabalharão a partir das 8 horas, mas as lojas devem abrir apenas uma hora depois. O expediente termina às 14 horas. O acordo não faz parte da convenção coletiva. De acordo com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Apucarana (Siecap), a negociação da data ficou em aberto, para ser discutido individualmente pelas empresas em momento posterior e foi acertada entre sindicato e as empresas.
O Sindicato do Comércio Varejista de Apucarana (Sivana) divulgou uma nota oficial lembrando que os acordos dessas empresas com o sindicato dos trabalhadores foram feitos sem a intermediação do sindicato patronal. “O sindicato cumpriu com a sua obrigação na convenção coletiva. No entanto, esse acordo foi feito posteriormente, direto com o Siecap, pelo que sabemos. Nossa orientação seria a de não abrir na Sexta-Feira Santa, já que até agora nada oficial chegou para nós”, afirma a presidente do Sivana, Aída Assunção.
Mas a voz mais discordante vem da Igreja Católica. O bispo de Apucarana, dom Celso Marchiori, lamenta a decisão dos estabelecimentos. “Os cristãos estão sendo vítimas do capitalismo e do relativismo, que destrói os valores católicos. A Semana Santa é de imensa importância para o cristianismo e a Sexta-Feira Santa é um dia de guarda, com jejum, abstinência e silêncio. É um dia de contemplação pela morte de Cristo. É um dia sagrado”.
BOICOTE
O monsenhor Roberto Carrara, padre da Catedral Nossa Senhora de Lourdes, de Apucarana, afirma que ter o comércio fechado na Sexta-Feira Santa faz parte de uma tradição de séculos. “Estão rompendo com essa tradição sem nenhuma necessidade. Quem precisa comprar algo pode ir ao mercado na quinta ou no sábado. Por que na Sexta-Feira Santa? Isso não vai mudar a estrutura econômica dos estabelecimentos, mas muda a tradição das pessoas”, destaca.
Ele orienta os fiéis a boicotarem os supermercados na data. “É a nossa forma de protestar: não comprar nada nesse dia. Não quero polêmica, mas acho que os cristãos precisam se posicionar”, diz.