Após criar polêmica ao abrir na Semana Santa, os supermercados de Apucarana devem funcionar também amanhã, Dia das Mães. A medida é inédita na cidade e tem como base o decreto que enquadra estes estabelecimentos como de utilidade pública. O sindicato trabalhista da categoria divulgou uma nota de repúdio à decisão dos estabelecimentos. A abertura dos mercados em feriados e datas comemorativas está no centro da discussão da convenção coletiva da categoria, que ainda não foi definida após mais de 10 meses.
Os supermercados de Apucarana têm autonomia para definir o horário de funcionamento. Sendo assim, alguns ficarão abertos até as 13 horas, mas boa parte irá funcionar até as 18 horas. O decreto em que as lojas se baseiam foi posto em vigor pelo presidente Michel Temer (MDB) em agosto de 2017.
O decreto inclui os supermercados no rol de atividades tidas como economicamente essenciais, equiparando-os a instituições de saúde, por exemplo. Com isto, os estabelecimentos poderão abrir aos domingos, feriados civis e religiosos, sem necessidade de negociação coletiva prévia.
Anivaldo Rodrigues da Silva, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Apucarana (Siecap), lamenta a situação. “Tentamos de todas as formas negociar com os supermercados para não haver expediente no Dia das Mães, mas as empresas foram irredutíveis. Infelizmente, as tradições estão se perdendo, em nome da ganância desenfreada dos supermercados”.
De acordo com a nota de repúdio divulgada pelo Siecap, todas as negociações coletivas anteriores vetavam o trabalho na data em questão. No entanto, por conta do decreto presidencial, o sindicato perdeu força de negociação, fazendo com que a situação ficasse impossível de ser contornada.
NEGOCIAÇÃO
A abertura dos estabelecimentos no Dia das Mães faz parte de uma polêmica que está emperrando o acordo coletivo da categoria. O reajuste salarial anual já está acertado há meses e deverá ficar em torno de 5%. No entanto, o Siecap busca garantir o fechamento dos mercados em alguns feriados, mas tem encontrado resistência por parte do sindicato patronal.
A data-base da categoria é 1º de julho. Mas, por conta disso, um acordo ainda não foi fechado. As negociações já ultrapassam 10 meses. “Estamos tentando fazer com que, em pelo menos alguns feriados, os trabalhadores possam descansar. Mas os mercados não estão querendo ceder. Não queremos fechar nossa convenção como aconteceu em Londrina, onde os estabelecimentos não irão abrir apenas no Natal, Ano Novo e Dia do Trabalho”, diz Anivaldo.