Os 40 dias sem chuvas significativas estão aumentando a incidência de determinadas doenças em Apucarana. Mais sensíveis ao tempo seco, as crianças são as que mais sofrem com viroses, problemas respiratórios e conjuntivite. No Centro Infantil municipal, o número de atendimentos triplicou nas últimas três semanas.
A unidade atende, em dias normais, cerca de 40 crianças. No entanto, de acordo com Ângela Azevedo de Campos, enfermeira supervisora do Centro Infantil, a demanda ficou em torno de três vezes maior. “O tempo seco faz com que doenças apareçam, como as viroses. Apesar de serem comuns, se não forem cuidadas adequadamente, elas podem evoluir”, lembra.
Com a leve chuva registrada no último sábado (23), o número de atendimentos reduziu ontem, segundo a enfermeira. No entanto, a situação ainda é de alerta. “Houve uma amenizada no número de atendimentos mas, se não chover logo, os casos voltarão a aumentar. O que agrava ainda mais a situação são as queimadas. A fumaça é muito prejudicial”, diz.
Ângela orienta pais a terem cuidado. “Como as crianças são as mais sensíveis, é importante umidificar o local onde elas dormem. Pode ser com um umidificador ou até mesmo molhando um pouco as paredes. É preciso deixar a criança sempre hidratada, oferecendo bastante água e vestindo-a com roupas adequadas. Muitas mães, com medo de doenças, às vezes agasalham muito a criança”.
Apucarana está há 40 dias sem chuvas significativas. De acordo com o Simepar, a umidade relativa do ar ontem na cidade ficou em torno de 40%. Há alguns dias, o nível chegou a ficar abaixo dos 30%. O nível ideal é de 60%.
Uma das vítimas do tempo seco é Murilo, de apenas cinco meses, com quadro de febre alta. “Durante a noite é pior. O nariz dele tranca e é preciso limpar com soro, além de deixar o umidificador ligado direto”, afirma a mãe, a consultora de vendas Carla Lozano, que levou o bebê ontem ao Centro Infantil. “Esse tempo seco é difícil, ele sofre muito”, diz Carla.
UPA
Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Apucarana, o número de atendimentos a pacientes com problemas relacionados ao tempo seco aumentou em pelo menos 50%. Erlan Robison Bosso, diretor-administrativo da unidade, explica que a falta de chuvas prejudica ainda mais quem já tem algum problema respiratório. “Pessoas com bronquite ou asma, por exemplo, acabam tendo o quadro agravado ainda mais. A orientação é sempre procurar a UBS mais próxima”, diz.
“Por conta das viroses, é muito importante lavar bem as mãos. Crianças têm mania de levar as mãos à boca e podem se contaminar. Mas é bom lembrar que as viroses também atacam adultos”, aponta ele.(RENAN VALLIM)