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Tradição mantém cultivo de café na região

Renan Vallim

| Edição de 16 de setembro de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Base da economia que ajudou a desenvolver Apucarana e diversos municípios da região em meados do século passado, o café hoje vive um momento distinto. Em quarto lugar entre as culturas que mais geram riqueza na cidade, a cafeicultura é, em grande parte, sustentada pela tradição. Mesmo perdendo espaço, o café continua importante e será celebrado a partir das 19 horas de hoje, na abertura da 12ª edição da Feira do Café (Feicafé).

Imagem ilustrativa da imagem Tradição mantém cultivo de café na região

A família Suguiura é uma das mais tradicionais na cafeicultura da região. Eles chegaram a Apucarana em 1942 e, desde então, plantam café. “Faz parte da tradição da família. Não tem como abandonarmos o café. É uma coisa nossa, da nossa cultura”, explica Sérgio Suguiura, que faz parte da terceira geração de cafeicultores da família.

“Nós desenvolvemos e aprendemos a trabalhar com o café em conjunto com outras culturas. Temos, na nossa propriedade, soja e também trigo. Apesar das dificuldades do café, não o abandonamos”, destaca.

O pai de Sérgio, Iwao Suguiura, de 80 anos, lembra que o volume do plantio era muito maior do que agora. “Já tivemos 750 mil pés de café. Hoje, são pouco menos de 100 mil. Ao longo de tantos anos, aprimoramos sozinhos diversas técnicas de automação para a melhoria da produtividade. Algumas, como a utilização de mecanização, foram implantadas nos anos 80, muitos anos antes de se popularizarem. Já outras coisas, nos matemos fiéis a técnicas de 50 anos atrás. Fazemos aquilo que dá certo para nós”, afirma.

Segundo ele, o tamanho das dificuldades da cafeicultura atual é igual à paixão da família pelo cultivo. “Hoje, não se encontra muita mão-de-obra, o preço está baixo, entre outros problemas. Mas continuamos. Nós nos esforçamos porque gostamos do café”, diz.

Essas dificuldades estão fazendo com que apenas os mais velhos fiquem na lavoura cafeeira. “A grande maioria dos produtores de café estão acima dos 50 anos. É uma lavoura cara, que dá apenas uma vez ao ano, e não é todo ano que a produção é boa. Além disso, há muito risco de perda por fatores climáticos. Mas a tradição ainda fala mais alto, o amor ao café”, afirma Aléssio de Almeida Gorla, cafeicultor e tesoureiro da Cooperativa dos Cafeicultores e Agricultores do Pirapó (Coocapi).

Paulo Franzini, chefe do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), afirma que a cultura do café evoluiu, se mantendo importante na economia rural local. “O café não é mais aquela cultura única em uma propriedade. Ele é interessante para a diversificação de culturas”, afirma.

Apesar de evoluir mais lentamente, o café atualmente exige que três pontos sejam respeitados para aumentar a competitividade, de acordo com Franzini. “A mecanização e o aumento da produtividade através da renovação das lavouras são os dois primeiros pontos. Eles são importantes para reduzir custos. Já o terceiro é o aumento na qualidade do produto, uma consequência dos dois primeiros, que agrega valor à produção e faz com que os lucros aumentem”, diz.

O café hoje representa 7% do Valor Bruto de Produção (VBP) em Apucarana, movimentando mais de R$ 21,3 milhões. A cultura fica atrás do frango de corte (45%), da soja (21%) e do trigo (8%). Os dados são de 2015.

Festa começa hoje no Pirapó

A 12ª Feira do Café (Feicafé), que acontece no Distrito do Pirapó, já teve início na terça-feira (13), com uma tarde de campo, onde produtores conheceram novidades no cultivo da planta. Contudo, a programação da feira será intensa a partir de hoje, seguindo até o domingo (18).

A abertura oficial, com a presença de autoridades e membros da organização, terá a divulgação do resultado da fase regional do concurso “Café Qualidade”, da Emater. Para o público técnico, também será atração exposição de máquinas agrícolas de diversas empresas do ramo.

Para a população em geral, às 20 horas, tem show da “Comunidade Cristã”; e, às 21h30, a banda Cowboys do Asfalto. Amanhã, às 17 horas, tem encontro regional de violeiros; às 21 horas, show com Emerson e Henrique e, às 23 horas, Banda Trânsito Livre.

Domingo tem missa campal às 8 horas, seguida por almoço. Às 21 horas, encerramento com a Banda Inox.