Falta de ar, dores musculares e até problemas de memória. Estas são apenas algumas sequelas que podem surgir em pacientes que já tiveram Covid-19. As complicações a longo prazo afetam seriamente a qualidade de vida de muitas pessoas, tornando-se um novo desafio para a saúde.
O prefeito de Califórnia, Paulinho Moisés, 72 anos, enfrenta há nove meses os efeitos da síndrome pós-Covid. Na época em que foi contaminado pelo vírus, em novembro do ano passado, o político chegou a ficar 48 dias internado no hospital, 24 deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). De lá para cá ele faz fisioterapia respiratória diariamente para tratar uma fibrose pulmonar.
Por causa da sequela respiratória, o prefeito usa um cilindro de oxigênio que o acompanha em todos os lugares. Paulinho também utiliza um exercitador respiratório três vezes ao dia e faz uso de quatro medicamentos para o tratamento da fibrose.
“Essa doença é muito pior do que imaginava, por isso peço a população continuar se protegendo. Sei que o governo já está flexibilizando as medidas, mas é importante não se expor”, pede.
A passeadora de cães Solange Gasoli Montenegro de Almeida, 45 anos, de Arapongas, convive há quatro meses com complicações de saúde, após ter Covid. “Tenho muitas dores musculares, o que causa dificuldade para me movimentar. Sinto dores ao me sentar e preciso levantar devagar porque minhas pernas estão fracas. Também não consigo erguer os braços, sinto muito cansaço até para conversar”, relata.
Os sintomas relatados por Solange estão entre as principais sequelas deixadas pela doença. Pesquisa solicitada pela Tribuna do Norte junto ao Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Ivaí e Região (Cisvir), em Apucarana, ouviu 30 pacientes com sequelas da Covid-19 que buscam atendimento na unidade. Do total, 23% sofre com dores musculares (7), 16% falta de ar (5), 10% esquecimento (3) e 6% hipertensão arterial sistêmica (2). Também há relatos de transtorno depressivo, fraqueza, desânimo, dor de cabeça e queda de cabelo. O questionário foi aplicado durante 15 dias na instituição de saúde.
O Cisvir não soube informar o total de pacientes com sequelas de Covid atendidos na unidade, alegando que não tem esse mecanismo de controle porque o atendimento é eletivo e de consultas especializadas. Contudo afirma que um ambulatório pós-covid está sendo estruturado.
JANDAIA
Em Jandaia do Sul a Prefeitura Municipal criou um programa de atendimento de pacientes com sequelas pós-covid. Em dois meses, foram atendidos 113 pessoa, entre 26 a 80 anos, com sequelas como fraqueza muscular generalizada e diminuição da capacidade respiratória. “Foi percebida uma necessidade não só de tratar os pacientes positivados, mas sim trabalhar as necessidades dos pacientes após a alta, com uma equipe especializada para o acompanhamento”, diz o diretor do Departamento Municipal de Saúde de Jandaia do Sul, Tadeu Rocco.
Segundo ele, os atendimentos são realizados por uma equipe multidisciplinar composta por médicos, nutricionistas, enfermeiros, fisioterapeutas e psicólogos.